O iFood pode estar entrando em uma nova fase de crescimento. Enquanto concorrentes como Keeta e 99 Food intensificam a disputa por clientes com campanhas de desconto e subsídios, a empresa controlada pela Prosus aposta em um caminho diferente: a construção de um ecossistema de serviços que vai além do delivery de refeições. Segundo o BTG Pactual, essa estratégia já começa a dar resultados e coloca o iFood em uma posição diferenciada no mercado brasileiro.
Fintech impulsiona receita do iFood
Negócios como fintech, soluções de gestão (ERP), entrega de supermercados e farmácias representam 33% do faturamento do iFood. Dois anos atrás, esses negócios representavam 21% do faturamento. O crescimento é puxado principalmente pela fintech da empresa, que faturou R$ 2,5 bilhões no ano fiscal. A fintech mais que dobrou de tamanho na comparação anual e passou a responder por cerca de 25% da receita total da companhia. Esse movimento mostra como a empresa está diversificando suas fontes de receita e reduzindo a dependência exclusiva do delivery de refeições.
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Concorrência acirrada no delivery
A entrada de novos competidores intensificou a disputa pelo mercado, principalmente por meio de campanhas promocionais e subsídios voltados às regiões de menor renda. Keeta e 99 Food têm investido pesado em descontos para atrair usuários, especialmente em áreas onde o poder aquisitivo é menor. Na avaliação do BTG, o iFood tem optado por um caminho diferente. Em vez de responder apenas reduzindo preços, a companhia busca aprofundar a integração com outras empresas do ecossistema da Prosus. Um exemplo é a Decolar, cuja operação brasileira já obtém mais de 20% da receita a partir de jornadas iniciadas dentro do aplicativo do iFood.
Estratégia de ecossistema cria ciclo virtuoso
Para o banco, essa estratégia cria um ciclo virtuoso: quanto maior o uso da plataforma, mais dados são gerados, maior é o engajamento dos consumidores e maiores são as oportunidades de monetização em diferentes categorias. O iFood não apenas entrega comida, mas também oferece serviços financeiros, ferramentas de gestão para restaurantes e entregas rápidas de supermercados e farmácias. Isso permite que a empresa aumente a frequência de uso do aplicativo e capture uma parcela maior dos gastos dos clientes.
Inteligência artificial e entregas ultrarrápidas
Outro ponto destacado pelo banco foi o uso crescente de inteligência artificial para expandir o mercado do iFood. A IA é utilizada para personalizar ofertas, otimizar rotas de entrega e prever a demanda, o que melhora a eficiência operacional e a experiência do usuário. Entre as iniciativas está o Turbo, serviço de entregas ultrarrápidas, que ganhou força especialmente no segmento de farmácias. Cerca de 70% das entregas de farmácias são concluídas em até 20 minutos. Esse tipo de serviço aumenta a conveniência para o consumidor e diferencia o iFood dos concorrentes que focam apenas em descontos.
Delivery de refeições segue crescendo
Apesar da diversificação, o negócio principal de entrega de refeições continua crescendo perto de 20% ao ano. A administração afirmou que a próxima etapa será criar novas ocasiões de consumo, aumentando a frequência de pedidos dos clientes. Isso pode incluir desde parcerias com eventos até a oferta de refeições em horários alternativos, como café da manhã e lanches noturnos. A combinação de crescimento no core business com a expansão do ecossistema coloca o iFood em uma posição robusta.
BTG vê iFood como ativo digital forte
Na avaliação do BTG Pactual, o iFood segue como um dos ativos digitais mais fortes do Brasil. Enquanto concorrentes continuam recorrendo a subsídios para conquistar usuários, o BTG avalia que o iFood entra em uma nova etapa de geração de valor, baseada no aumento da frequência de consumo, na expansão da participação nos gastos dos clientes e na monetização de seu ecossistema digital. A fintech, o ERP e as entregas de supermercados e farmácias são os pilares dessa nova fase, que promete sustentar o crescimento da empresa nos próximos anos.
Fonte
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