Neste sábado (17), foi assinado o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), marcando o fim de um processo de negociação que durou 25 anos. O tratado estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, abrangendo um mercado com mais de 700 milhões de consumidores. Seu objetivo central é criar uma relação ganha-ganha por meio da redução progressiva das tarifas comerciais entre os dois blocos econômicos.
Impacto direto no bolso do brasileiro
Para os consumidores no Brasil, a expectativa é de maior acesso a produtos europeus. De acordo com as previsões do acordo, 91% dos itens vindos da UE ficarão mais acessíveis no mercado nacional ou, até mesmo, mais baratos.
Essa mudança não será imediata, mas ocorrerá de forma gradual, conforme os prazos estabelecidos para a eliminação das tarifas. A medida promete diversificar as opções disponíveis nas prateleiras e potencialmente reduzir custos para o público final.
O Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, amplia assim suas conexões comerciais com um dos principais parceiros econômicos globais. Por outro lado, os exportadores europeus também se beneficiam, com projeções indicando uma economia anual de até 4 bilhões de euros em custos.
Vinhos e azeites na mira da redução
Vinhos europeus
Entre os produtos que devem se tornar mais acessíveis estão os vinhos, especialmente os originários de países como Itália, França e Espanha. Essas nações são, respectivamente, os maiores produtores mundiais da bebida, segundo a International Organisation of Vine and Wine (OIV).
A redução tarifária promete ampliar a oferta de rótulos europeus no mercado brasileiro, conhecido por sua apreciação crescente por vinhos.
Azeites de oliva
No caso dos azeites, a taxa de importação, atualmente em 10%, será eliminada de forma gradual ao longo de até 15 anos. Para o azeite de bagaço de oliva, o imposto será zerado em um prazo mais curto, de até quatro anos.
Essa diferenciação nos prazos reflete a complexidade das negociações e as especificidades de cada categoria de produto. Assim, os consumidores poderão esperar uma queda progressiva nos preços desses itens essenciais na culinária.
Chocolates premium e massas italianas
Chocolates europeus
Os chocolates europeus, hoje taxados em 20%, também surfarão a onda da tarifa zero no futuro. Parte desses produtos terá a eliminação do imposto em até dez anos, enquanto o restante em até 15 anos.
Essa redução pode tornar mais acessíveis os chocolates considerados premium, ampliando a concorrência no setor. Vale destacar que o Brasil já dispõe de uma produção diversificada de chocolate, com atuação tanto de empresas nacionais quanto internacionais.
Massas italianas
Para as massas, a maior parte dos produtos deverá alcançar tarifa zero em até dez anos. Atualmente, esses itens pagam impostos que podem chegar a 16%, a depender do grau de processamento.
A medida deve beneficiar especialmente as massas italianas, tradicionalmente apreciadas pelos brasileiros. Com a redução, espera-se uma maior variedade e possivelmente preços mais competitivos nas gôndolas dos supermercados.
Peças para carros importados
Setor automotivo
O setor automotivo é outro que sentirá os efeitos do acordo. A tarifa zero valerá para peças automotivas entre sete e dez anos, conforme o estabelecido. Atualmente, o imposto sobre a importação desses componentes varia entre 14% e 18%, o que encarece a manutenção de veículos importados.
A redução promete facilitar o acesso a peças de reposição, podendo resultar em custos menores para os proprietários.
Impacto no mercado
Essa mudança pode impulsionar o mercado de carros importados, já que a manutenção se tornaria mais acessível. Além disso, a medida beneficia toda a cadeia do setor, desde concessionárias até oficinas especializadas.
A expectativa é de um impacto positivo na economia, com potencial geração de empregos e aumento na circulação de veículos. Dessa forma, o acordo se mostra abrangente, tocando em setores variados do consumo.
O que esperar dos próximos anos
Com a assinatura do acordo, inicia-se agora a fase de implementação das reduções tarifárias. Os prazos variam conforme o produto, indo de quatro a 15 anos para a eliminação total dos impostos.
Essa gradualidade permite uma adaptação dos mercados e das indústrias locais às novas condições de concorrência. Para os consumidores, a paciência será necessária, mas a perspectiva é de benefícios tangíveis no médio e longo prazo.
O tratado representa um marco nas relações comerciais entre América do Sul e Europa, após um quarto de século de discussões. Sua consolidação depende agora dos processos de ratificação nos países membros de ambos os blocos.
Enquanto isso, setores como o de vinhos, chocolates, azeites, massas e automotivo já se preparam para as mudanças. O futuro promete uma maior integração econômica e, para o brasileiro, a chance de acessar produtos europeus a preços mais amigáveis.
