O open finance, sistema criado em 2020 pelo Banco Central para permitir o compartilhamento de dados entre instituições financeiras, atingiu a marca de 240 milhões de consentimentos ativos no Brasil. No entanto, um levantamento recente aponta que 61,5% das consultas feitas pelas receptoras de dados são consideradas desperdício, evidenciando gargalos na arquitetura atual. A informação foi divulgada pela Zetta, associação que reúne fintechs e empresas de tecnologia financeira, com base em dados de suas associadas.
O sistema permite que clientes compartilhem dados para obter melhores condições de crédito e ofertas personalizadas. Apesar do avanço no número de consentimentos, a eficiência do sistema é questionada por especialistas do setor.
Polling gera consultas repetidas e atrasos
A estrutura do open finance utiliza o sistema de “polling”, no qual as instituições receptoras de dados precisam consultar periodicamente as transmissoras para saber se houve alguma atualização nos dados do cliente. Esse modelo, embora simples, gera um volume elevado de chamadas desnecessárias, pois muitas consultas retornam sem novidades.
Como consequência, as receptoras são forçadas a consultar janelas históricas repetidamente para tentar capturar atualizações tardias e manter os casos de uso atualizados, o que eleva ainda mais a redundância do consumo. A Zetta não informou o período exato da análise, mas os números refletem um problema estrutural.
Desperdício de 61,5% nas consultas
De acordo com a Zetta, 61,5% das consultas realizadas pelas instituições receptoras não resultam em aproveitamento efetivo dos dados. Esse percentual representa um custo operacional significativo para as empresas, que precisam manter infraestrutura para processar chamadas inúteis.
Em um modelo de mensageria, o índice de aproveitamento de chamadas chegaria a 85%, com ganhos médios semanais superiores a 50 pontos percentuais em eficiência. A associação defende a migração para esse formato, que notificaria as receptoras apenas quando houvesse mudanças reais nos dados.
Impacto no crédito e na portabilidade
A ineficiência do polling afeta diretamente casos de uso como o crédito. A Zetta diz que uma das suas associadas verificou que apenas 22,6% das transações de crédito consumidas mensalmente foram efetivamente aproveitadas, ao passo que 77,4% acabaram descartadas por causa de atrasos de três a seis dias na disponibilização desses dados.
Além disso, a portabilidade do crédito consignado para o servidor público federal depende do avanço da integração do Serpro/Siape com o open finance. Sem uma atualização eficiente dos dados, os servidores podem enfrentar dificuldades para transferir seus empréstimos e obter taxas mais competitivas.
Evolução exige mudanças estruturais
Para evoluir, o open finance precisa automatizar o monitoramento, melhorar o desempenho das instituições e adotar uma arquitetura baseada em eventos. Especialistas apontam que a adoção de um modelo baseado em eventos, como a mensageria, poderia reduzir drasticamente o desperdício.
O Banco Central não respondeu aos pedidos de comentário sobre os números divulgados pela Zetta. A fonte não detalhou se há um cronograma para a substituição do polling, mas o debate ganha força no setor financeiro.
Fonte
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