Evento reúne analistas para debater investimentos em 2026
Em um evento online promovido pelo Seu Dinheiro, analistas do mercado financeiro se reuniram para debater as perspectivas de investimento na Bolsa brasileira para 2026. O encontro, intitulado ‘Onde Investir em 2026’, ocorre após um ano de 2025 marcado por uma valorização expressiva de 34% do principal índice do mercado acionário nacional, o Ibovespa.
A discussão reuniu especialistas de diferentes instituições para analisar o cenário macroeconômico e os possíveis rumos para os ativos locais.
O cenário de pessimismo que precedeu a alta
O ano de 2025 começou com um pessimismo generalizado por parte dos investidores. Há um ano, as expectativas do mercado para o desempenho dos ativos brasileiros eram baixas, com a questão fiscal sendo um ponto de preocupação constante.
Além disso, empresas norte-americanas ligadas à inteligência artificial sugavam o fluxo de investimentos global, desviando atenção e recursos de outros mercados, incluindo o brasileiro. Esse contexto inicial de desconfiança contrasta fortemente com o desempenho posterior registrado pelo Ibovespa.
Impacto da política norte-americana
Por outro lado, a postura imprevisível do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez investidores reduzirem a exposição às bolsas norte-americanas. Parte dos recursos que deixaram o mercado dos EUA foram destinados aos mercados emergentes, criando uma oportunidade para países como o Brasil.
Essa movimentação de capitais internacionais ajudou a impulsionar a recuperação observada ao longo do ano.
A virada de chave na Bolsa brasileira
Para os analistas, 2025 marcou uma ‘virada de chave’ para a Bolsa brasileira. Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, lembra que bolsas brasileira, mexicana e colombiana foram impulsionadas pelo retorno do interesse estrangeiro.
Ela destaca que o Ibovespa, excluindo as ações da Petrobras e da Vale, começou 2025 negociando a 7 vezes lucros. Esse valor representava quase metade da média histórica dos 10 anos anteriores, indicando um patamar de avaliação bastante descontado que atraiu compradores.
Comparação com o mercado norte-americano
Bruno Rignel, sócio e cofundador da gestora AlphaKey, contextualiza a dimensão do mercado brasileiro em comparação com o norte-americano. Ele afirma que grandes empresas dos EUA, como Nvidia, Apple e Microsoft, têm um valor de mercado maior do que todo o Ibovespa.
Essa disparidade ajuda a entender por que pequenos fluxos de capital que saem dos Estados Unidos podem ter um impacto significativo em economias emergentes como a brasileira.
Lições aprendidas com o ano de 2025
Uma lição clara de 2025 é o impacto que o investidor estrangeiro tem sobre a Bolsa brasileira. A entrada de recursos externos foi um dos motores da valorização recorde do índice, demonstrando a sensibilidade do mercado local aos humores do capital internacional.
Esse aprendizado é crucial para projetar os movimentos do próximo ano, pois sinaliza que fatores globais continuarão a exercer influência.
Perspectivas de Bruno Henriques do BTG Pactual
Bruno Henriques, analista sênior do BTG Pactual, oferece sua visão sobre como esse equilíbrio pode se desenhar em 2026. Ele afirma que o cenário macroeconômico global deve continuar ‘imperando’ nas decisões de investimento.
No entanto, em contraste com 2025, ele acredita que o ‘local vai falar mais alto’, sugerindo que fatores internos, como a política econômica e o desempenho das empresas brasileiras, ganharão maior relevância.
Perspectivas e desafios para o próximo ano
O debate entre os especialistas aponta para um 2026 que deve ser moldado pela interação entre forças globais e dinâmicas domésticas. Enquanto o ambiente internacional, especialmente nos Estados Unidos, seguirá ditando parte do ritmo dos fluxos de capital, a capacidade do Brasil de manter a atratividade dependerá de seus fundamentos.
A evolução da questão fiscal e o desempenho corporativo serão observados de perto.
Conclusão do evento
O evento ‘Onde Investir em 2026’ serviu como um momento de reflexão sobre um ano de transformação e de antecipação para o próximo. A participação de analistas de diferentes backgrounds, como Larissa Quaresma, Bruno Henriques e Bruno Rignel, enriqueceu a discussão com múltiplas perspectivas sobre os ativos brasileiros.
A conclusão é que, após a ‘virada de chave’ de 2025, os investidores devem se preparar para um cenário mais complexo e matizado em 2026.
