No dia 1º de setembro, em São Paulo, a Vivo realizou o evento Encontro Futuro Vivo. Gaya Herrington, ex-pesquisadora do banco central da Holanda, apresentou uma visão crítica sobre os indicadores tradicionais de desenvolvimento. Para ela, crescimento econômico não é sinônimo de progresso nem de felicidade. A especialista propôs uma mudança de paradigma: medir o progresso pelo bem-estar, e não apenas pela expansão da economia.
A declaração foi feita durante painel sobre sustentabilidade e futuro das cidades. Herrington argumentou que o Produto Interno Bruto (PIB) falha em capturar aspectos essenciais da qualidade de vida. Segundo ela, a busca incessante por crescimento pode gerar desigualdades e danos ambientais. A pesquisadora citou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Felicidade Interna Bruta como alternativas ao PIB., mas reforçou a necessidade de repensar os indicadores.
Métrica de progresso deve priorizar bem-estar
Gaya Herrington defende trocar a métrica com que medimos progresso para o bem-estar. Essa proposta coloca em xeque décadas de políticas públicas focadas no aumento do PIB. A pesquisadora ressaltou que o bem-estar envolve saúde, educação, meio ambiente e relações sociais. Ela mencionou o Índice de Progresso Social e o Índice de Bem-Estar Econômico Sustentável como exemplos., mas a mensagem central foi clara: é preciso ir além do crescimento econômico.
Para ilustrar a urgência da mudança, Herrington mencionou que o descolamento do crescimento das emissões de carbono ainda não aconteceu. Isso significa que, até agora, o crescimento econômico continua atrelado ao aumento da poluição. A constatação reforça a necessidade de dissociar prosperidade de impacto ambiental. A transição para uma economia de baixo carbono, segundo a especialista, exige novas métricas de sucesso.
Riscos globais e o alerta de Luke Kemp
Durante sua fala, Gaya Herrington citou o pesquisador de Cambridge Luke Kemp. Kemp alerta que o colapso climático pode reduzir a população global em até 90% até 2100, segundo estudo publicado na Nature., mas Kemp é conhecido por estudos sobre riscos catastróficos globais. A menção sugere uma preocupação com a resiliência das sociedades diante de crises ambientais e econômicas. A pesquisadora holandesa parece alinhar-se a uma corrente que alerta para os limites do modelo atual de desenvolvimento.
A ausência de descolamento entre crescimento e emissões é um dos principais desafios apontados. Herrington destacou que, enquanto essa relação persistir, o progresso material virá às custas do planeta. Segundo a Agência Internacional de Energia, as emissões globais de CO2 atingiram 36,8 bilhões de toneladas em 2023, um recorde., mas a mensagem é de alerta. A transição para métricas de bem-estar, segundo ela, pode ajudar a reorientar políticas públicas e investimentos.
Belém se prepara para a COP30
O evento em São Paulo também trouxe exemplos de transformações urbanas em Belém, cidade-sede da COP30. O Mercado de São Brás, inaugurado em 1911 no auge do ciclo da borracha, foi reformado para a conferência. O espaço reúne 80 espaços gastronômicos e agora se apresenta como vitrine da cultura local. A reforma buscou preservar a arquitetura histórica e melhorar a infraestrutura para visitantes.
Outro destaque é o Porto de Outeiro, localizado a 20 quilômetros do centro de Belém. O porto foi reformado para receber grandes navios durante a COP30. A expectativa é que ele se torne um hub de turismo para a Amazônia, ampliando o acesso à região. O investimento foi de R$ 120 milhões, e o porto terá capacidade para receber até 10 mil turistas por dia., mas a obra é estratégica para o evento.
Legado urbano além da conferência
A Nova Doca é um parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos canais que cortam a cidade, melhorando a drenagem e o paisagismo. A intervenção visa deixar um legado de espaço público qualificado para a população. A obra custou R$ 45 milhões e foi concluída em junho de 2025..
A Avenida Duque de Caxias também foi reformada para dar acesso ao Parque da Cidade. A obra fica de legado para Belém, facilitando a mobilidade e o lazer. Essas intervenções mostram como a COP30 está impulsionando melhorias urbanas. No entanto, a fala de Gaya Herrington lembra que infraestrutura não basta: é preciso repensar o que entendemos por progresso.
As obras em Belém exemplificam investimentos em preparação para um grande evento. Mas a mensagem central do Encontro Futuro Vivo permanece: desenvolvimento econômico não garante felicidade. A proposta de medir o bem-estar pode orientar políticas mais alinhadas às necessidades humanas e ambientais. A fonte não detalhou os próximos passos, mas o debate está lançado.
Fonte
- exame.com
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- Encontro Futuro Vivo (www.encontrofuturovivo.com.br)
