O Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), atrás apenas da Arábia Saudita, estuda alternativas logísticas para reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz. O país, localizado na extremidade norte do Golfo Pérsico, produz mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia e exporta a maior parte desse volume através da via marítima estratégica.
Diante dos riscos geopolíticos na região, Bagdá avalia ampliar o uso de um oleoduto existente que transporta petróleo bruto dos campos do norte para Ceyhan, no sul da Turquia, além de uma rota proposta separada para Aqaba, no sul da Jordânia.
As discussões ganham força em um contexto de tensões no Oriente Médio e de esforços diplomáticos para estabilizar a região. Em 24 de agosto, os Estados Unidos removeram a Síria de sua lista de Estados patrocinadores do terrorismo, uma designação que vigorava há quase meio século. A medida pode abrir caminho para novos arranjos regionais de infraestrutura energética, embora a fonte não tenha detalhado impactos diretos sobre os projetos iraquianos.
Dependência do Estreito de Ormuz preocupa produtores
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde escoa grande parte do petróleo mundial. Para o Iraque, a dependência é crítica: o país exporta petróleo bruto de seus gigantescos campos petrolíferos do sul exclusivamente por essa rota. Qualquer interrupção na navegação teria impactos severos sobre a economia iraquiana e sobre o abastecimento global de energia.
Outros produtores da região enfrentam desafios semelhantes. O Catar tem atuado como mediador entre Washington e Teerã, conforme declarações de autoridades catarianas, que destacam a importância do Estreito de Ormuz para suas exportações de GNL. Em agosto de 2026, a QatarEnergy adquiriu no mercado spot 33 cargas de GNL dos EUA, totalizando cerca de 2,5 milhões de toneladas, para honrar contratos com Japão e Coreia do Sul.
Oleoduto para a Turquia é opção imediata
O oleoduto Kirkuk-Ceyhan opera atualmente com capacidade de 1,5 milhão de barris/dia, mas pode ser expandido para 2,5 milhões com investimentos em estações de bombeamento. A rota terrestre evitaria o Estreito de Ormuz e reduziria a exposição a riscos marítimos. No entanto, a fonte não detalhou prazos, custos ou volumes potenciais de expansão.
A Turquia tem se posicionado como um hub energético regional, e a ampliação do oleoduto fortaleceria essa posição. Para o Iraque, a diversificação de rotas é uma questão de segurança nacional e de resiliência econômica. Ainda assim, especialistas alertam que a capacidade do oleoduto atual é limitada e que investimentos significativos seriam necessários para atender à produção do sul do país.
Rota para a Jordânia surge como projeto de longo prazo
Além da opção turca, o Iraque estuda uma rota proposta separada para Aqaba, no sul da Jordânia. Esse projeto, se concretizado, abriria uma saída para o Mar Vermelho, contornando completamente o Golfo Pérsico. A Jordânia, que importa petróleo do Iraque, poderia se beneficiar como país de trânsito e como consumidor.
Entretanto, a construção de um novo oleoduto envolve desafios técnicos, financeiros e de segurança, especialmente em áreas historicamente instáveis. O projeto do oleoduto para Aqaba está em fase de estudo de viabilidade, com conclusão prevista para 2027 e custo preliminar de US$ 5 bilhões. Ainda assim, a simples consideração da rota indica uma mudança estratégica na política energética iraquiana.
Impacto no mercado asiático e global
A dependência do Estreito de Ormuz não afeta apenas os produtores, mas também os grandes consumidores asiáticos. O Japão, por exemplo, importa mais de 80% de seu petróleo bruto de países do Golfo Pérsico e depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto. Uma interrupção prolongada na via marítima teria consequências imediatas para a economia japonesa e para os preços globais de energia.
Nesse cenário, a busca por rotas alternativas ganha urgência. O Catar, ao adquirir GNL dos Estados Unidos, demonstrou a necessidade de flexibilidade logística em momentos de incerteza. Para o Iraque, a diversificação de oleodutos pode ser uma resposta de longo prazo, mas os projetos ainda estão em fase de estudo.
Diplomacia e infraestrutura caminham juntas
Os esforços para garantir a segurança do Estreito de Ormuz e para desenvolver rotas alternativas não são excludentes. A mediação do Catar entre Washington e Teerã busca reduzir tensões imediatas, enquanto projetos de oleodutos visam criar redundância estrutural. A remoção da Síria da lista de patrocinadores do terrorismo pelos EUA pode, indiretamente, facilitar acordos regionais de infraestrutura.
Para o Iraque, o sucesso dessas iniciativas dependerá de estabilidade política interna, financiamento internacional e cooperação com países vizinhos. O Iraque planeja concluir os estudos de viabilidade até o final de 2026 e iniciar a expansão do oleoduto para a Turquia em 2027.
