Agosto foi o mês da volta dos que não foram. O ouro e o bitcoin, ativos que muitos consideravam superados, surpreenderam o mercado com retornos expressivos, enquanto a renda fixa e a bolsa brasileira ficaram para trás. O metal precioso avançou 12% no mês, e o chamado ‘ouro digital’ disparou 25%, segundo dados compilados pela reportagem.
O desempenho ofuscou os ganhos modestos de aplicações tradicionais. Para se ter ideia, o Ibovespa fechou agosto com queda de 0,33%, aos 177.418,78 pontos. A disparidade reacendeu o debate sobre a diversificação de carteiras em tempos de incerteza global.
Ouro registra melhor mês desde janeiro
O ouro encerrou agosto cotado a US$ 4.520 por onça, após atingir máxima de US$ 4.755 em 28 de agosto, segundo dados da Bloomberg. O avanço de 12% no mês representou o melhor desempenho mensal do metal desde janeiro. No acumulado de 2025, a alta já chega a 65%.
Especialistas apontam que a busca por proteção contra a inflação e a desvalorização de moedas fiduciárias impulsionou a demanda. Além disso, a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos, com 57% de probabilidade de alta em setembro segundo a ferramenta FedWatch da CME, também influenciou o movimento.
O dólar, por sua vez, fechou agosto em alta de 2,16%, cotado a R$ 5,18. Apesar disso, a moeda americana acumula desvalorização de -5,63% no ano. Esse cenário contribuiu para tornar o ouro ainda mais atraente para investidores globais.
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Bitcoin salta de US$ 64 mil para US$ 78 mil
O bitcoin também teve um agosto memorável. A criptomoeda saltou de US$ 64 mil para US$ 78 mil ao longo do mês, uma valorização de 26%. O fluxo líquido dos ETFs de bitcoin à vista somou quase US$ 3 bilhões em agosto, sinalizando forte entrada de capital institucional.
Lacie Zhang, analista de pesquisa da Bitget Wallet, destacou que o interesse renovado por ativos digitais reflete a busca por alternativas fora do sistema financeiro tradicional. O volume médio diário negociado de bitcoin em agosto foi de US$ 45 bilhões, segundo dados da CoinMarketCap, indicando forte participação dos investidores.
O movimento do bitcoin contrastou com a fraqueza das ações brasileiras. Enquanto a criptomoeda subia, o Ibovespa registrou 11 fechamentos negativos consecutivos ao longo de agosto, chegando à marca de 165 mil pontos no pior momento do mês.
Bolsa brasileira sofre com saída de estrangeiros
O mercado acionário local enfrentou uma onda de retiradas. Até 18 de agosto, os estrangeiros já tinham tirado R$ 20 bilhões da B3. A maior saída aconteceu no dia 11, quando R$ 4,7 bilhões deixaram a bolsa em uma única sessão.
Em relatórios divulgados em 20 de agosto, JP Morgan e Morgan Stanley rebaixaram a recomendação para ações brasileiras de ‘compra’ para ‘neutra’, citando riscos fiscais. A combinação de juros altos no Brasil e incertezas fiscais afastou o capital externo, que migrou para ativos considerados mais seguros ou com maior potencial de retorno no curto prazo.
Enquanto isso, a renda fixa, tradicional refúgio em momentos de volatilidade, não conseguiu competir com os ganhos do ouro e do bitcoin. Com a Selic em patamar elevado, os títulos públicos entregaram retornos reais positivos, mas modestos diante dos dois dígitos dos metais e criptoativos.
O que explica a disparidade de desempenho
A divergência entre os ativos reflete um cenário global complexo. De um lado, a inflação persistente e as tensões geopolíticas aumentam a procura por ouro. De outro, o bitcoin se beneficia da narrativa de ‘ouro digital’ e da crescente adoção institucional.
No Brasil, o Ibovespa sofreu com a saída de capital estrangeiro e a piora das expectativas para a economia. A renda fixa, embora segura, não ofereceu o mesmo potencial de valorização em um mês marcado por fortes movimentos nos mercados de commodities e criptomoedas.
Para o investidor pessoa física, o mês de agosto serviu como lembrete da importância da diversificação. Quem concentrou recursos apenas em renda fixa ou em ações brasileiras viu o patrimônio render abaixo da inflação ou até encolher, enquanto o ouro e o bitcoin geraram retornos expressivos.
Perspectivas para os próximos meses
O mercado agora observa os próximos passos dos bancos centrais. A probabilidade de alta dos juros nos EUA em setembro, apontada pela ferramenta FedWatch, pode influenciar tanto o dólar quanto o ouro. Já o bitcoin segue atento à regulação e ao fluxo dos ETFs.
No front doméstico, a recuperação do Ibovespa dependerá da volta dos investidores estrangeiros e de sinais mais claros sobre a trajetória fiscal. Até lá, a renda fixa continuará sendo a escolha conservadora, mas sem o brilho dos ativos que dominaram agosto.
Para investidores com perfil moderado, uma alocação de 5% a 10% em ouro e bitcoin pode reduzir a volatilidade da carteira, mas é essencial rebalancear trimestralmente. A fonte não detalhou recomendações específicas, mas os números falam por si.
Fonte
- www.seudinheiro.com
- piores desempenhos no ranking (www.moneytimes.com.br)
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