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Governo avalia risco de derrota da PEC que acaba com escala 6×1


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Governo avalia risco de derrota da PEC que acaba com escala 6x1
Crédito: exame.com

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1 não será votada pelo Senado nesta semana de esforço concentrado. A decisão foi tomada após a equipe de articulação política do governo Lula avaliar que não havia os votos necessários para aprovar a matéria. O quórum do painel da sessão desta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, era de 75 senadores, mas o plenário se esvaziou ao longo do dia.

Como votações de PEC exigem os votos presenciais dos senadores, o risco de derrota levou ao adiamento.

Randolfe Rodrigues, líder do governo Lula no Congresso, avaliou que havia risco de derrota se o texto fosse votado na sessão. Em declaração, ele afirmou: “A responsabilidade de colocar 49 votos era nossa. No mapa que fizemos, havia risco. Poderíamos conseguir a aprovação, mas havia risco e não é adequado correr riscos (de rejeição da PEC) nesse tema”. A fala resume o cenário de incerteza que marcou a articulação governista no Senado.

Mapa de votação apontava no máximo 54 votos

O mapa de votação da base aliada mostrava que haveria, no máximo, 54 votos garantidos a favor da PEC na sessão desta quarta-feira, 2. O número está acima do mínimo constitucional de 49 votos, mas a margem era considerada apertada diante das manobras da oposição. Em especial, os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) atuaram para esvaziar o plenário e colocar a aprovação em risco. A liderança do governo Lula no Congresso avaliou não ter votos para aprovar a PEC 6×1 com segurança.

A estratégia da oposição se concentrou em reduzir a presença de senadores no momento da votação. Como a PEC exige quórum qualificado, a ausência de parlamentares pode inviabilizar a aprovação mesmo que a maioria dos presentes vote a favor. O plenário, que chegou a registrar 75 senadores no painel, esvaziou-se rapidamente após o início das discussões. O quórum no momento da votação não foi divulgado pela liderança do governo.

CCJ aprovou texto, mas destaques travam plenário

A PEC foi aprovada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Havia a expectativa de que o texto fosse pautado para a votação no plenário no mesmo dia, em um calendário especial de votação acelerado. Por alterar a Constituição, a PEC precisa do aval dos senadores em quórum qualificado, ou seja, com ao menos 49 votos a favor, em dois turnos. No entanto, a CCJ ainda não analisou destaques ao texto, e a não análise dos destaques impede a votação da matéria no plenário do Senado.

Os destaques são pedidos de votação em separado de trechos específicos da proposta. Enquanto não forem apreciados pela comissão, o texto não pode seguir para o plenário. Os destaques apresentados não foram divulgados pela CCJ. A conclusão é que, mesmo que o governo tivesse os votos necessários, a tramitação regimental ainda não estava concluída.

Proposta amplia poder do governo e cria fundo

Além de acabar com a escala 6×1, a proposta também autoriza a criação de um fundo garantidor de R$ 2 bilhões. O mecanismo, segundo o texto aprovado na CCJ, serviria para dar suporte financeiro a empresas que precisarem se adaptar à nova jornada de trabalho. As regras do fundo garantidor, como critérios de acesso e fontes de recursos, ainda não foram definidas no texto aprovado.

A PEC ainda amplia o poder do governo para vetar mudanças societárias em empresas que operam em áreas estratégicas ou que recebem incentivos públicos. Na prática, a União passaria a ter maior controle sobre alterações na estrutura de empresas que operam em áreas estratégicas ou que recebem incentivos públicos. O texto aprovado não especifica quais setores seriam afetados nem os limites do poder de veto da União. O texto aprovado na CCJ ainda pode sofrer alterações por meio dos destaques pendentes.

Próximos passos dependem de articulação

Com o adiamento, a PEC do fim da escala 6×1 fica sem data definida para votação no plenário do Senado. A liderança do governo Lula no Congresso, sob Randolfe Rodrigues (PT-AP), precisará recompor a base e garantir a presença mínima de 49 senadores em dois turnos de votação. A liderança do governo não informou se haverá nova tentativa de votação ainda nesta semana.

A avaliação de risco feita pelo governo indica que a aprovação da PEC não está descartada, mas exige um trabalho de convencimento mais sólido. As manobras da oposição, que esvaziaram o plenário nesta quarta-feira, podem se repetir em futuras sessões. Por isso, a articulação governista tende a priorizar a análise dos destaques na CCJ e a construção de um acordo que reduza as chances de derrota.

Última atualização em 2 de setembro de 2026 às 19h17.

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