Os gastos globais com data centers devem atingir US$ 31,6 trilhões até 2050 para atender à crescente demanda mundial por inteligência artificial, segundo projeção da PricewaterhouseCoopers (PwC). O levantamento, encomendado à Oxford Economics, abrange 46 países e territórios, além de cinco regiões. A cifra reflete o volume acumulado de investimentos em infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA nas próximas décadas.
Se a adoção da IA acelerar além do cenário central, os gastos podem chegar a US$ 50 trilhões no período. Essa variação depende, principalmente, da velocidade com que empresas e governos incorporarem a tecnologia em suas operações.
EUA lideram com quase metade dos investimentos
Os Estados Unidos concentrarão quase metade dos gastos projetados com data centers, totalizando US$ 15,1 trilhões, informou a PwC. O país mantém posição dominante no setor, impulsionado por grandes empresas de tecnologia e pela disponibilidade de capital. Em seguida, a região da Ásia-Pacífico virá com US$ 8,2 trilhões, refletindo o rápido crescimento de mercados como China, Índia e Sudeste Asiático.
A Europa terá US$ 5,6 trilhões, enquanto o Oriente Médio responderá por US$ 1,1 trilhão. A África, por sua vez, terá US$ 255 bilhões do total de investimentos acumulados. A distribuição desigual evidencia o peso das economias já estabelecidas no ecossistema de IA, embora regiões emergentes possam ganhar espaço conforme infraestrutura e políticas evoluam.
Por que os gastos continuam subindo?
Os gastos continuarão aumentando até meados do século, pois o ciclo de infraestrutura de IA exige substituição periódica de hardware. O ciclo de infraestrutura de IA em curso se renova a cada quatro ou seis anos, o que pressiona os orçamentos de forma contínua. Isso significa que, mesmo após a instalação inicial, os data centers demandarão reinvestimentos constantes para manter desempenho e competitividade.
Além disso, a rápida evolução dos modelos de IA exige hardware cada vez mais potente, acelerando a obsolescência. A PwC destaca que esse ciclo de renovação é um dos principais motores dos gastos de longo prazo, pois cada geração de chips e servidores traz saltos de capacidade que tornam os equipamentos anteriores ineficientes.
Energia é o fator decisivo
A energia será o fator primordial a definir onde ocorrerão os investimentos em infraestrutura de IA. Grande parte da previsão depende da rapidez com que se consegue estabelecer um fornecimento confiável de eletricidade para os data centers, segundo o relatório. Regiões com matriz energética estável, renovável e de baixo custo tendem a atrair mais projetos, pois o consumo elétrico dessas instalações é massivo.
Fatores como disponibilidade de energia, requisitos de soberania de dados e o fluxo de semicondutores determinarão quais regiões atrairão os investimentos, afirmou a PwC. A soberania de dados, em particular, tem levado países a exigir que informações sensíveis sejam armazenadas localmente, o que pode redistribuir os gastos para além dos polos tradicionais. O fluxo de semicondutores também é crítico, já que a fabricação de GPUs e outros componentes está concentrada em poucos fornecedores globais.
O papel da substituição periódica
O relatório da PwC ressalta que a infraestrutura de IA não é um investimento único. A cada quatro ou seis anos, data centers precisam trocar GPUs, servidores e sistemas de armazenamento para acompanhar as demandas de processamento. Esse ciclo gera um fluxo contínuo de gastos que, somado ao crescimento da base instalada, explica a projeção de US$ 31,6 trilhões até 2050.
Além da substituição, a expansão da capacidade também contribui para o montante. À medida que mais setores adotam IA — saúde, finanças, manufatura, entretenimento —, a necessidade de processamento e armazenamento cresce exponencialmente. A PwC não detalhou a participação de cada segmento, mas o cenário central já embute essa expansão generalizada.
Metodologia e abrangência do estudo
A PwC encomendou à Oxford Economics a modelagem dos gastos de capital em data centers. O relatório abrange 46 países e territórios, além de cinco regiões, oferecendo uma visão global e comparativa. A escolha da Oxford Economics como parceira técnica visa dar robustez estatística às projeções, que consideram variáveis macroeconômicas, tecnológicas e regulatórias.
Os números apresentados são estimativas de longo prazo e estão sujeitos a mudanças conforme o cenário econômico e político. A PwC não detalhou as premissas específicas de cada país.
O que esperar até 2050
Se o cenário central se confirmar, o mundo verá um volume inédito de recursos destinados a data centers. Os EUA devem manter a liderança, mas a Ásia-Pacífico pode reduzir a diferença à medida que China e Índia expandem suas capacidades de IA. A Europa, embora com valor menor, deve focar em eficiência energética e conformidade com regulações de dados, o que pode elevar o custo por megawatt.
Para investidores e governos, o relatório da PwC sinaliza que a infraestrutura de IA é uma aposta de longo prazo, com retornos distribuídos ao longo de décadas. O relatório não apresenta projeções de retorno financeiro. Segundo a PwC, a disponibilidade de energia será fator decisivo para os investimentos.
