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Mais chips não resolvem gargalos de IA, diz Microsoft


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Mais chips não resolvem gargalos de IA, diz Microsoft
Crédito: valor.globo.com

Taipei, Taiwan — Criar uma enorme capacidade adicional de produção de chips de memória não resolverá os gargalos na cadeia de suprimentos que estão freando a expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA), segundo uma executiva sênior da Microsoft. A declaração foi feita por Rani Borkar, presidente de Sistemas de Hardware e Infraestrutura do Azure na Microsoft, durante o evento do setor Semicon Taiwan, na quarta-feira. A executiva destacou que o problema não é de componentes isolados, mas de integração sistêmica.

Memória é questão de sistema, não suprimento

Em sua palestra, Borkar afirmou que é necessário um esforço de toda a indústria para otimizar os sistemas como um todo. Ela reforçou a ideia ao dizer: “A memória é vista como um problema de suprimento ou de componentes, mas, francamente, na realidade, é um problema de sistemas”. A fala indica que simplesmente ampliar a oferta de chips não ataca a raiz das limitações atuais. A complexidade está na forma como os diferentes elementos de hardware e software interagem.

Após o CEO Summit realizado durante o evento, Borkar conversou com repórteres e detalhou o posicionamento. “A resposta não é simplesmente fabricar mais memória, mas adotar técnicas como compressão de dados e alocação dinâmica para reduzir o desperdício.”, disse. Ela complementou: “Não se trata apenas de memória, pois não podemos continuar expandindo a capacidade indefinidamente”. A executiva sinalizou que a indústria precisa repensar o design e a operação dos sistemas para extrair mais valor dos recursos existentes.

Borkar ainda acrescentou que “não se pode permitir que qualquer bit de memória fique ocioso; por isso, a Microsoft está investindo em software que monitora e realoca recursos em tempo real.”. Essa visão aponta para a necessidade de inovações em arquitetura, software e gerenciamento de dados. A transição para uma abordagem mais holística, segundo ela, é essencial para sustentar o crescimento da IA sem esbarrar em limites físicos e econômicos.

Abordagem full stack ganha prioridade

Questionada sobre a estratégia da Microsoft em relação a chips personalizados, Borkar explicou que a empresa enxerga a abordagem “full stack” — solução completa e integrada — como algo de grande valor. “Se você começa a isolar apenas um componente, perde o valor do conjunto”, afirmou. Diferentemente do Google, a Microsoft não planeja, no momento, vender esses chips personalizados para clientes externos, como operadores de data centers e empresas.

A decisão reflete uma aposta na integração vertical, em que hardware, software e serviços são projetados em conjunto para maximizar eficiência. Essa postura contrasta com a da Nvidia, líder no mercado de chips para IA, que está mudando sua estratégia para vender CPUs avulsas, além de sistemas de servidores completos. A Microsoft, por ora, mantém o foco em soluções internas que atendam às demandas de sua própria nuvem Azure e de seus serviços de IA.

Borkar destacou que existem dois caminhos possíveis para a infraestrutura de IA. O primeiro consiste em aprimorar a infraestrutura atual, buscando maior eficiência, melhor utilização e melhores condições econômicas. O segundo caminho é “transformacional”, como o uso de memória não volátil integrada ao processador para reduzir latência. A executiva não detalhou quais tecnologias específicas fariam parte dessa transformação, mas indicou que a indústria precisará pensar em nível de sistema e desenvolver novas inovações para solucionar as restrições de oferta.

Investimentos bilionários e o futuro da IA

O contexto financeiro reforça a urgência do debate. A Microsoft prevê que seus investimentos em 2026 chegarão a US$ 190 bilhões, um aumento de mais de 60% em relação aos US$ 118 bilhões de 2025, segundo balanço da empresa. Esse montante inclui data centers, infraestrutura de rede e desenvolvimento de chips, evidenciando a escala do desafio. Ainda assim, Borkar insiste que o foco deve estar na otimização, não apenas na expansão bruta de capacidade.

A visão apresentada no Semicon Taiwan sugere que o setor de semicondutores precisa evoluir de uma mentalidade de produção em massa para uma de engenharia de sistemas. A memória deixa de ser commodity e se torna recurso estratégico, exigindo gerenciamento inteligente. A fala de Borkar ecoa preocupações de outros líderes da indústria sobre os limites físicos e ambientais do crescimento exponencial.

Para os próximos anos, a expectativa é que empresas de tecnologia invistam em novas arquiteturas de memória, interconexões mais rápidas e software capaz de alocar recursos dinamicamente. A Microsoft, com sua abordagem full stack, busca posicionar-se na vanguarda dessa transformação. Resta saber se a indústria como um todo adotará a mesma visão ou se continuará a buscar soluções pontuais para um problema que, segundo Borkar, é essencialmente sistêmico.

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