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Americanas AMER3: o que sobrou da empresa e plano para investidores


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Americanas AMER3: o que sobrou da empresa e plano para investidores
Crédito: www.seudinheiro.com

A Americanas (AMER3) voltou ao centro do noticiário na quinta-feira (25), quando a segunda fase da Operação Disclosure trouxe novos desdobramentos da fraude contábil que levou a varejista a uma das maiores recuperações judiciais da história do país. Quase três anos depois da descoberta do rombo bilionário, a Americanas busca convencer investidores de que deixou de ser a mesma empresa que entrou em recuperação judicial em 2023.

Reestruturação enxuga operações

Desde o início da recuperação judicial, em janeiro de 2023, a Americanas fechou mais de 400 lojas e reduziu sua rede de cerca de 1.880 para aproximadamente 1.448 unidades. A redução foi acompanhada por um foco maior nas lojas físicas, que passaram a responder por 95% da receita líquida da companhia. Em fevereiro, os credores aprovaram o desinvestimento de uma série de imóveis, com valor estimado entre R$ 346 milhões e R$ 468 milhões. Pelo acordo, 60% do montante líquido que exceder R$ 200 milhões deverá ser destinado à amortização ou ao resgate antecipado de debêntures.

Em maio, a varejista anunciou a venda de dez lojas deficitárias da rede Hortifruti Natural da Terra em São Paulo para o Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões. A companhia informou ainda manter negociações avançadas para vender as três lojas remanescentes da rede no Estado, concentrando a operação do Hortifruti no Rio de Janeiro. Segundo Durchon, caso as vendas da Uni.Co e das lojas do Natural da Terra já estivessem refletidas no balanço de março, a dívida líquida da Americanas seria 29% menor, recuando para R$ 535 milhões.

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Resultados financeiros mostram recuperação

O Ebitda ajustado voltou ao terreno positivo, o prejuízo das operações continuadas encolheu 24,8% no primeiro trimestre e as lojas físicas passaram a responder por 95% da receita líquida da companhia. No primeiro trimestre, a receita líquida cresceu 20,2%, para R$ 3,1 bilhões, enquanto o lucro bruto avançou 16,6%, alcançando R$ 834 milhões. O Ebitda ajustado voltou ao terreno positivo e somou R$ 15 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 26 milhões registrado no mesmo período de 2025.

Esses números indicam que a empresa está conseguindo reverter parte das perdas, embora ainda esteja distante dos patamares pré-crise. A Americanas aguarda uma decisão da Justiça sobre o pedido de encerramento da recuperação judicial, protocolado em março.

Estratégia digital muda de rumo

Antes da crise, a Americanas apostava na expansão do marketplace e no aumento do número de vendedores como forma de ganhar escala no comércio eletrônico. Agora, a companhia decidiu seguir um caminho diferente: o digital deixou de ser o protagonista e passou a funcionar como extensão da operação física. A prioridade passou a ser o modelo O2O (online to offline), que conecta as vendas digitais às lojas físicas por meio da retirada de produtos e das entregas realizadas a partir das próprias unidades.

Segundo Soares, a margem dessa operação é cerca de três vezes superior à do marketplace tradicional, reforçando a decisão de concentrar investimentos nesse formato. Em 2025, as lojas físicas responderam por 95% da receita líquida da Americanas, ante 91% um ano antes, enquanto a participação do digital caiu de 7% para 4%. A mudança de estratégia reflete a busca por eficiência operacional e redução de custos, priorizando canais com maior rentabilidade.

Perspectivas para investidores

Com a reestruturação em andamento e a expectativa de saída da recuperação judicial, a Americanas tenta reconstruir a confiança do mercado. A redução da dívida líquida, o foco em lojas físicas e o modelo O2O são os pilares do plano de reerguimento. No entanto, a empresa ainda enfrenta desafios jurídicos e operacionais. A decisão judicial sobre o encerramento da recuperação será um marco importante para definir o futuro da varejista. Enquanto isso, os investidores acompanham de perto os próximos passos da companhia, que busca provar que aprendeu com os erros do passado.

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