Novo acordo de acionistas
A Petrobras e a gestora IG4 selaram um novo acordo de acionistas para a Braskem, alterando a governança da petroquímica. O movimento ocorre após a decisão da Petrobras de não exercer os direitos previstos no acordo com a Novonor (ex-Odebrecht). Para a XP Investimentos, a mudança pode destravar a reestruturação da companhia.
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Governança equilibrada
O novo acordo prevê a obrigação de consenso entre as partes em todas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia Geral. Além disso, Petrobras e IG4 terão direito de indicar o mesmo número de membros para o conselho e para a diretoria.
Atualmente, dos 11 assentos no Conselho de Administração, apenas três são ocupados pela Petrobras, que também não participa da diretoria executiva. O acordo será encaminhado à Braskem para adoção das providências cabíveis e entrará em vigor após a transferência de ações. As duas partes também vão apresentar uma proposta de novo estatuto social, alinhada ao novo modelo de governança.
Participação acionária
A Petrobras manterá sua participação de 36,1% no capital total da Braskem, equivalente a 47% do capital votante. Já o FIP Shine, veículo da IG4, passará a deter 34,3% do capital social. Juntos, os dois principais acionistas terão cerca de 70,4% das ações da Braskem.
A IG4 havia indicado na terça-feira (21) que o acordo buscaria uma governança equilibrada, com decisões condicionadas ao consenso entre os sócios e paridade na indicação de executivos. No final do ano passado, a IG4 fechou um acordo com credores da Novonor — entre eles Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Banco do Brasil e BNDES — que detêm ações da Braskem dadas como garantia no processo de recuperação judicial.
Reação do mercado
Para a XP Investimentos, a mudança tende a ampliar o peso da Petrobras na condução da Braskem. A XP também vê a transação como um divisor de águas. O Bradesco BBI avalia que o acordo com a Petrobras aparentemente reforça a estratégia da estatal de ampliar seu controle sobre a Braskem.
Desafios financeiros
A Braskem encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 10,28 bilhões e dívida total de US$ 9,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 47 bilhões. No México, a subsidiária da Braskem negocia com credores o alongamento de dívidas após acumular passivos elevados. No fim de 2025, a Braskem fechou acordo de R$ 1,2 bilhão em compensações, mas ainda há incertezas sobre novos desembolsos.
Próximos passos
A IG4 afirmou que um novo plano de reestruturação da companhia será apresentado pela nova diretoria executiva tão logo assuma suas funções. A reorganização marca mais um capítulo na tentativa da Novonor de se desfazer de sua participação na Braskem, processo que se arrasta desde 2018.
Fonte
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