Em uma semana de movimentos expressivos no mercado financeiro, a Eneva (ENEV3) liderou os ganhos do Ibovespa com valorização de quase 25%. Em contraste, a Minerva Foods (BEEF3) ocupou a ponta negativa do principal índice da bolsa brasileira.
O desempenho refletiu um cenário externo favorável às petroleiras, com alta acentuada no preço do barril, e avaliação cautelosa sobre o setor de proteína animal. Decisões de política monetária e mudanças no governo federal também influenciaram o humor dos negócios.
Eneva: alta de 25% impulsionada pelo petróleo
Os preços do petróleo Brent dispararam 8,77% nesta semana, registrando a quinta alta semanal consecutiva. Esse movimento sustentado criou ambiente extremamente favorável para empresas do setor de energia.
Fatores por trás da valorização
A alta do petróleo é um dos principais motivos do salto de quase 25% nas ações da Eneva. A companhia se beneficiou diretamente da perspectiva de maiores receitas.
Além disso, o Banco Central da Inglaterra (BoE) ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo. Esse alerta mantém a atenção sobre a volatilidade nos preços das commodities energéticas.
Decisões dos bancos centrais em foco
Federal Reserve mantém juros
O Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados em 3,50% a 3,75% ao ano, pela segunda vez consecutiva. De acordo com o sumário de projeção econômica (SEP), o Fed prevê apenas um corte nos juros ao longo de 2026.
A mediana para o Fed Funds foi mantida em 3,4% neste ano.
Copom inicia ciclo de cortes no Brasil
Do lado brasileiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Esta foi a primeira flexibilização do Banco Central desde julho.
Os diretores da autarquia afirmaram que o BC está dando início a um ciclo de ‘calibração’ da política monetária. O sinal é de caminho gradual de redução da taxa básica.
Mudanças no governo e medidas setoriais
Troca no comando da Fazenda
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, formalizou a saída da pasta após mais de três anos de gestão. Ele deixou o cargo para concorrer à eleição do governo do Estado de São Paulo.
Dario Durigan assumiu como novo ministro da Fazenda. A transição ocorre em meio a ajustes na política econômica.
Medida provisória sobre frete
O governo publicou uma medida provisória (MP) que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. A ação tem impacto direto em setores como o de alimentos.
Minerva: pior desempenho mesmo com lucro
Em contraste com a forte alta da Eneva, a Minerva Foods (BEEF3) foi a ponta negativa do Ibovespa. A empresa registrou o pior desempenho semanal entre as ações do índice.
Resultado financeiro positivo
Esse movimento ocorreu mesmo após a empresa anunciar lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2025. O número reverteu o prejuízo de R$ 1,567 bilhão no mesmo período de 2024.
Avaliação do mercado
A reação do mercado sugere que os investidores podem estar avaliando outros fatores além do resultado trimestral. A fonte não detalhou quais seriam esses fatores específicos.
A divergência entre o resultado financeiro e a performance na bolsa destaca a complexidade das avaliações em tempos de volatilidade.
Câmbio e fechamento da semana
No mercado de câmbio, o dólar à vista (USDBRL) fechou cotado a R$ 5,3092. Houve recuo de 0,13% frente ao real.
Essa leve desvalorização da moeda americana ocorreu em contexto de decisões de bancos centrais e ajustes na política econômica brasileira.
A combinação entre alta do petróleo, mudanças no governo e movimentos cambiais criou ambiente misto para os ativos. Isso explica em parte os desempenhos tão distintos dentro do Ibovespa.
