O empresário Elon Musk, dono da SpaceX e da rede social X, detalhou na segunda-feira (8) um plano para levar data centers ao espaço. Em um vídeo de 31 minutos, ele afirmou que a iniciativa não depende de soluções “mágicas”, mas sim de tecnologias já dominadas pela empresa. O projeto surge em meio às crescentes preocupações com a capacidade energética necessária para sustentar a próxima geração de sistemas de inteligência artificial (IA).
Combinação de foguetes, satélites e hardware
A ideia de Musk combina a experiência da SpaceX com foguetes reutilizáveis, satélites e produção de hardware para construir data centers em órbita terrestre. Essas estruturas seriam alimentadas por energia solar captada diretamente no espaço e utilizariam o vácuo para dissipar o calor gerado pelos processadores. “Para aproveitar qualquer porcentagem significativa da energia do Sol, você precisa ir para o espaço”, afirmou Musk.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com
Três pilares fundamentais
O projeto depende de três elementos fundamentais:
- Capacidade de transporte: enviar grandes volumes de carga para a órbita terrestre.
- Geração de energia solar: painéis solares eficientes no espaço.
- Chips de IA: processadores avançados para computação.
O principal pilar dessa estratégia é o Starship, foguete de nova geração da SpaceX. A futura versão Starship V3 terá mais que o dobro do empuxo do Saturno V, utilizado nas missões Apollo. O objetivo é aumentar a quantidade de carga enviada à órbita de cerca de 2.500 toneladas por ano para milhões de toneladas anuais.
Satélites especializados em computação
A infraestrutura espacial imaginada pela empresa inclui satélites especializados em computação. Ian Doll, integrante da equipe Starlink, afirmou que o principal desafio é fornecer energia elétrica suficiente para os processadores e dissipar o calor gerado por eles. A solução proposta utiliza painéis solares semelhantes aos empregados atualmente nos satélites Starlink, além de radiadores capazes de liberar calor diretamente no vácuo do espaço.
Primeiro protótipo e conexão com a Terra
O primeiro protótipo, chamado AI1, terá potência suficiente para alimentar dezenas de chips avançados de inteligência artificial da Nvidia, as chamadas GPUs. Os módulos seriam conectados por enlaces ópticos a laser e integrados à constelação Starlink para transmitir dados à Terra com baixa latência.
Fábrica de chips e metas de energia
Musk revelou planos para construir uma fábrica de chips chamada Terafab, no Texas. A instalação teria cerca de 9,3 milhões de metros quadrados, aproximadamente dez vezes o tamanho da Gigafactory da Tesla no estado.
A meta inicial é alcançar uma capacidade de computação alimentada por 1 gigawatt de energia até o fim do próximo ano. Depois, a empresa pretende multiplicar essa escala sucessivamente até chegar a 1 terawatt, ou 1.000 gigawatts.
Em uma etapa futura, a expansão dessa infraestrutura poderá migrar para a Lua. A fonte não detalhou prazos para essa fase.
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