O Brasil movimentou US$ 55,1 bilhões em operações de fusões e aquisições (M&A) em 2025, consolidando-se como o principal mercado da América Latina. O volume representa quase metade de todo o valor registrado na região, que somou US$ 114,3 bilhões no ano. Com isso, o país ampliou a vantagem sobre o México, que registrou US$ 22,5 bilhões em transações.
Cenário de alta na região
O mercado de M&A na América Latina cresceu 16% em relação ao ano anterior em 2025, impulsionado por operações de maior porte. Segundo relatório da Marsh, o ano passado foi caracterizado por menos negócios, porém maiores. Foram 850 operações no mercado brasileiro, número que reflete a concentração em transações de alto valor.
Setor de Energia, Mineração e Utilidades (EMU) lidera
O setor de Energia, Mineração e Utilidades (EMU) respondeu por US$ 42,6 bilhões em transações na América Latina, sendo o principal motor do crescimento. Um exemplo emblemático foi a aquisição de 60% dos ativos do campo de Peregrino pela Prio, avaliada em US$ 3,35 bilhões. Esse movimento mostra a atratividade dos ativos de energia no Brasil, mesmo com a Selic elevada.
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Private equity em expansão
O valor das operações de private equity na América Latina saltou 106% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 19,8 bilhões em 2025. Esse crescimento expressivo indica o apetite de investidores por participações em empresas da região, especialmente no Brasil. A Marsh destaca que o Brasil se destacou pela utilização de seguros de riscos transacionais, ferramenta que facilita o fechamento de negócios complexos.
Felipe Escallón, chefe de Private Equity e M&A da Marsh para a América Latina, ressalta que a capacidade de executar os negócios passou a ser o principal diferencial. Encontrar oportunidades continua importante, mas a execução é o que realmente faz a diferença em um ambiente de incertezas.
Desafios e perspectivas
Apesar do desempenho robusto, os negociadores enfrentam incertezas políticas e regulatórias, ventos contrários de tarifas e comércio, inflação e volatilidade cambial. Esses fatores exigem maior cuidado na estruturação das operações. A economia brasileira, que saiu de uma expansão de 3,4% em 2024 para uma projeção de 1,6% em 2026, também adiciona cautela ao cenário.
Tendências de migração de ativos
Ativos de infraestrutura, redes de fibra ótica, data centers e negócios ligados à digitalização estão migrando de investidores financeiros para operadores estratégicos. Essa tendência deve continuar, à medida que empresas buscam integrar verticalmente suas operações e capturar sinergias.
O Brasil, mesmo com juros altos, mantém a liderança na América Latina em fusões e aquisições. O volume de US$ 55,1 bilhões em 2025 reforça a posição do país como hub de investimentos na região, superando concorrentes como o México. A combinação de setores estratégicos, private equity aquecido e uso de instrumentos de mitigação de riscos sustenta esse desempenho.
Fonte
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