O Citi revisou suas projeções para o Banco do Brasil (BBAS3) e, consequentemente, acendeu um sinal de alerta para os investidores. O banco norte-americano cortou o preço-alvo da ação de R$ 25 para R$ 21, o que representa uma valorização potencial de cerca de 11% em relação ao fechamento anterior. Além disso, o BB foi incluído entre os nomes menos preferidos do Citi no setor bancário brasileiro, em um movimento que reflete a deterioração do cenário macroeconômico e o aumento das pressões sobre a qualidade dos ativos.
Pressão no agro e no consumo
O agronegócio sempre foi uma das cartas mais fortes do Banco do Brasil. O setor foi, durante anos, uma das principais alavancas de crescimento do portfólio do banco. No entanto, nos últimos meses, a deterioração de parte dessas operações e o avanço das provisões colocaram em dúvida a velocidade com que o BB poderá voltar a expandir o crédito sem aumentar o risco no balanço. A preocupação não é que o agronegócio tenha deixado de ser estratégico para o Banco do Brasil. O problema é que a combinação de pressão no campo e piora em linhas de crédito ao consumidor torna a travessia dos próximos trimestres mais exigente.
O relatório do Citi aponta focos de pressão em financiamento de veículos, cartões de crédito e empréstimos não consignados. No caso do BB, a atenção do mercado também se volta para a carteira rural. A qualidade dos ativos vem se deteriorando de forma gradual em todo o sistema financeiro brasileiro, mas o Banco do Brasil enfrenta uma combinação particularmente sensível. Os analistas do Citi afirmam: ‘Adotamos uma postura mais cautelosa em relação aos bancos brasileiros à medida que o cenário macroeconômico se deteriora, com aumento das pressões sobre a qualidade dos ativos, particularmente no crédito ao consumidor e no agronegócio’.
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Projeções de lucro revisadas para baixo
As projeções de lucro do Banco do Brasil foram revisadas para baixo. Ao lado do Agibank, o Banco do Brasil é uma das raras exceções que teve suas projeções de lucro efetivamente revisadas para baixo. O restante do setor sofreu apenas ajustes técnicos pelo custo de capital. Isso significa que, enquanto outros bancos tiveram suas estimativas alteradas por fatores como a alta da Selic, o BB enfrenta uma revisão mais profunda, ligada à sua exposição setorial e à qualidade dos ativos.
A pressão sobre o crédito e o aumento das provisões no agro e em linhas de consumo podem tornar a travessia dos próximos trimestres mais exigente para o banco. O Citi destaca que parte dessa cautela já aparece nas cotações, mas o preço-alvo de R$ 21 ainda embute um potencial de alta limitado diante dos riscos.
Juros altos como pano de fundo
O cenário de juros altos por mais tempo no país é o grande vilão da visão mais conservadora para os bancos. Para o Citi, a manutenção da taxa Selic em patamares restritivos eleva o custo de capital e ‘drena’ o valor justo das ações bancárias. Isso afeta todo o setor, mas o BB, por sua maior exposição ao crédito rural e ao consumo, sente de forma mais aguda esse movimento.
Apesar da cautela generalizada, o Citi mantém preferências claras. O Itaú Unibanco e o BTG Pactual permanecem como as principais escolhas (top picks) do banco norte-americano. Já o Banco do Brasil, antes visto como uma opção defensiva pelo seu peso no agro, agora carrega um prêmio de risco maior.
O que esperar de BBAS3?
Com o preço-alvo em R$ 21, a ação do Banco do Brasil ainda oferece um potencial de valorização de cerca de 11%, mas o mercado deve ficar atento aos próximos balanços. A deterioração da qualidade dos ativos, especialmente no agro e no consumo, será um ponto-chave. Se as provisões continuarem a subir, novas revisões podem ocorrer. Por outro lado, se o cenário macroeconômico melhorar e a Selic começar a cair, o BB pode se beneficiar de sua forte presença no campo e na capilaridade de sua rede.
Por enquanto, o Citi prefere esperar para ver. A recomendação implícita no corte do preço-alvo e na inclusão entre os menos preferidos é de cautela. Investidores que já têm o papel na carteira devem monitorar de perto os indicadores de inadimplência e provisões. Quem pensa em comprar, talvez valha a pena aguardar sinais mais claros de que a pressão sobre o crédito está arrefecendo.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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