Uma segunda-feira de rebaixamentos
O mercado financeiro brasileiro recebeu notícias preocupantes sobre a Raízen nesta segunda-feira, dia 9. A agência de classificação de risco S&P Global Ratings cortou a nota da empresa para “CCC+” e colocou suas classificações em observação com implicações negativas.
No mesmo dia, a situação se agravou com ações de outras agências, acendendo um sinal de alerta para investidores.
Reação em cadeia das agências de rating
Em menos de sete horas, a Fitch Ratings rebaixou o rating da Raízen duas vezes, levando a empresa para a faixa de alto risco “CCC”. Paralelamente, a Moody’s Local Brasil também ajustou suas avaliações.
A agência rebaixou o rating corporativo da companhia de “AAA.Br” para “CCC+.Br”. A perspectiva, que antes era negativa, foi alterada para “em revisão para rebaixamento”.
Essa convergência de rebaixamentos por três das principais agências de risco em um único dia evidencia uma deterioração significativa na percepção de crédito da empresa. O cenário coloca pressão imediata sobre as ações e levanta dúvidas sobre os próximos passos da administração.
O impacto direto na Cosan
As decisões das agências não se limitaram à Raízen. A S&P também revisou a perspectiva da Cosan, controladora da empresa de energia, alterando-a para negativa.
Segundo a avaliação da agência, a mudança reflete incertezas em torno da estrutura de capital da Raízen e o possível impacto negativo sobre a Cosan.
Governança e correlação de mercado
Além disso, pesaram na avaliação padrões de governança considerados mais fracos, associados a políticas avaliadas como pouco claras na Raízen. A interligação entre as duas empresas significa que os problemas de uma podem afetar diretamente a saúde financeira e a reputação da outra perante o mercado.
Essa correlação ficou clara no pregão. Por volta das 17h15 (horário de Brasília), as ações da Cosan no Ibovespa caíam 3,29%, sendo negociadas a R$ 6,16. Os papéis da Raízen, por sua vez, despencavam 9,09%, cotados a R$ 0,70.
A reação dos investidores demonstra a sensibilidade do mercado às mudanças nas avaliações de risco.
O peso da dívida em ascensão
Um dos fatores centrais por trás da preocupação das agências é o crescimento expressivo do endividamento da Raízen. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida da empresa alcançou a marca de R$ 53,4 bilhões.
Esse valor representa um salto de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O aumento acelerado da dívida, em um contexto de juros elevados, eleva os custos financeiros e pressiona a liquidez da companhia.
Risco de crédito e capacidade de manobra
O tamanho da dívida e seu ritmo de crescimento são indicadores críticos que as agências de rating monitoram de perto. Quando esses números disparam, como no caso relatado, é comum que as avaliações de crédito sejam revisadas para baixo.
Isso reflete um risco maior de inadimplência e limita a capacidade de manobra da empresa para novos investimentos ou para honrar compromissos.
A busca por alternativas financeiras
Diante desse cenário desafiador, a Raízen anunciou a contratação de assessores financeiros e jurídicos especializados. O objetivo declarado é avaliar alternativas para otimizar a estrutura de capital e melhorar a liquidez da empresa.
Contratação de assessorias especializadas
Nesta semana, a companhia confirmou a contratação da Rothschild & Co como sua assessora financeira. Para o suporte jurídico, foram contratados os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP.
Juntos, esses assessores e a administração da Raízen iniciaram a avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório.
Estratégias de reestruturação em análise
Essa movimentação indica que a empresa reconhece a gravidade da situação e está tomando medidas proativas para enfrentá-la. A contratação de nomes de peso no mercado financeiro e jurídico sugere que as opções em análise podem incluir:
- Renegociação de dívidas
- Busca por novos investidores
- Outras estratégias complexas de reestruturação
Próximos passos e expectativas do mercado
O processo de avaliação pelas assessorias está em estágio inicial. A fonte não detalhou um prazo para conclusão ou quais alternativas são consideradas mais viáveis.
Enquanto isso, o mercado aguarda ansiosamente por mais informações que possam clarear o caminho à frente.
Divulgação do balanço trimestral
Um momento-chave será a divulgação dos resultados do terceiro trimestre da safra 2025/26 (3T26), marcada para esta quinta-feira. Os números do balanço trimestral trarão uma fotografia mais atualizada da saúde financeira da empresa.
Os dados incluirão a evolução da dívida, da geração de caixa e da lucratividade.
Análise dos investidores e confiança do mercado
Os investidores analisarão minuciosamente esses dados para calibrar suas expectativas. O desempenho operacional e quaisquer comentários da diretoria sobre o plano de otimização de capital serão determinantes para a confiança do mercado.
A capacidade da Raízen de apresentar um plano crível e executável será crucial para estabilizar sua classificação de risco e recuperar a confiança perdida em um dia turbulento.
