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IPCA+ vs CDI: qual protege mais o investimento?


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IPCA+ vs CDI: qual protege mais o investimento?
Crédito: www.seudinheiro.com

Por décadas, a crença de que investimentos pós-fixados indexados aos juros (CDI e Selic) são os “menos arriscados” dominou o mercado financeiro brasileiro. No entanto, estudos recentes apontam que essa tese ignora uma realidade crucial: a inflação consistente e duradoura que corrói o poder de compra do real. Um novo documento, intitulado “Repensando o ativo sem risco: uma visão brasileira”, propõe uma reflexão sobre o que realmente significa segurança em investimentos.

O que define um ativo sem risco?

O estudo, assinado por Eduardo Marinho, Ruy Ribeiro e Artur Wichmann, da Atlantiqis em parceria com a XP, afirma que a segurança de um investimento deve ser medida pela sua capacidade de financiar planos futuros. Dessa forma, enquanto o CDI aumenta o valor em tela, o IPCA+ protege a capacidade de compra desse mesmo volume de dinheiro ao longo do tempo. Para o investidor que busca não apenas acumular capital, mas efetivamente preservar riqueza ao longo das décadas, entender essa diferença é fundamental.

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Desempenho em momentos de crise

Dados brasileiros e dos EUA mostram que títulos indexados a juros falharam em proteger o patrimônio real em janelas de estresse na economia, como durante a pandemia. Em contrapartida, os títulos indexados à inflação ofereceram proteção e retorno, especialmente quando o horizonte de investimento foi maior. Ademais, o investidor que foca apenas no CDI enfrenta o chamado risco de reinvestimento: a incerteza sobre a taxa real (juro descontado da inflação) que conseguirá no futuro ao reinvestir o valor aplicado após resgate ou vencimento.

Cenário atual de juros e inflação

Hoje, a taxa básica de juros é de 14,25% ao ano, com uma inflação de 4,72% acumulada em 12 meses. Na prática, isso significa uma taxa real de 9,5% ao ano. Trata-se de um valor alto e significativo, até maior do que o juro real pago pelos títulos indexados à inflação, que rondam a faixa dos 8%. Contudo, essa taxa não é garantida para o longo prazo — e pode virar para o negativo.

Exemplos históricos de perda real

Entre janeiro de 2019 e janeiro de 2023, por exemplo, quem aplicou no CDI viu seu retorno nominal de aproximadamente 27% ser quase totalmente consumido pela inflação acumulada no período, de 23,5%. Em anos específicos, como 2020 e 2021 — em que os juros caíram para 2% ao ano e depois subiram para quase 8%, enquanto a inflação bateu 10% ao ano — o CDI entregou retornos reais negativos, de -1,73% e -5,37%, respectivamente. “Para investidores que recorreram a esse instrumento em busca de proteção patrimonial diante da maior crise sanitária em um século, o resultado foi a erosão silenciosa do poder de compra precisamente quando mais se buscava preservá-lo”, diz o estudo.

Fenômeno global

Essa falha do CDI não é exclusiva do Brasil. O estudo afirma que os indicadores equivalentes de outros países apresentaram o mesmo comportamento diante de eventos de estresse econômico. Por exemplo, nos EUA, as T-Bills, similares norte-americanas do Tesouro Selic, tiveram retorno real médio negativo entre 2006 e 2026. A grande questão do CDI é que ele é um instrumento financeiro para o curto prazo. Portanto, não é o investimento adequado para médios e longos prazos.

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