Investimento

Hapvida (HAPV3) troca CEO sob pressão e críticas de governança


4 mins de leitura
Hapvida (HAPV3) troca CEO sob pressão e críticas de governança
Crédito: www.seudinheiro.com

A Hapvida, uma das maiores operadoras de saúde do Brasil, anunciou na noite desta segunda-feira (6) a troca em seu comando executivo. Jorge Pinheiro, que esteve à frente da companhia por 27 anos, deixa o cargo de CEO, sendo substituído por Luccas Adib.

A mudança ocorre em um momento de pressão de acionistas, após críticas recentes à governança da empresa feitas pela gestora Squadra Investimentos.

Fim de um ciclo e início de outro

Em carta ao mercado, Jorge Pinheiro afirmou que a transição marca o encerramento de um ciclo e o início de uma nova fase para a Hapvida. O executivo, que conduziu a empresa por quase três décadas, destacou que a companhia entra em 2026 “mais leve e focada”.

Segundo ele, isso ocorre após concluir as grandes integrações que marcaram seu crescimento. As prioridades agora são eficiência, qualidade e experiência do usuário, pilares que devem guiar os próximos passos.

Pinheiro também reconheceu, de forma franca, que os resultados financeiros recentes ficaram abaixo do potencial da companhia. “Poderíamos ter feito mais e melhor. Essa consciência nos move”, declarou o então CEO.

Essa autocrítica sinaliza um diagnóstico interno sobre a necessidade de ajustes. Ela surge em um contexto onde a performance operacional tem sido alvo de questionamentos externos.

Quem assume o comando da empresa

O escolhido para liderar essa nova etapa é Luccas Adib, cujo nome foi confirmado pelo próprio Pinheiro. A transição, conforme comunicado, busca trazer novas competências e perspectivas à companhia.

Isso indica uma renovação na gestão. O novo executivo contará com suporte do conselho de administração e de um time executivo que ainda será apresentado ao mercado.

Esse detalhe sugere mudanças também na estrutura de liderança.

Prioridades imediatas da nova gestão

As prioridades imediatas da companhia sob o novo comando incluem:

  • Recuperação da rentabilidade histórica.
  • Desalavancagem do balanço.
  • Avaliação de possíveis desinvestimentos em ativos considerados menos estratégicos.

Além disso, a Hapvida pretende intensificar o uso de tecnologia e dados para:

  • Automatizar práticas médicas.
  • Digitalizar operações.
  • Melhorar a jornada dos usuários.

Esse caminho está alinhado com as demandas do setor de saúde.

Pressão acionista e críticas à governança

A saída de Pinheiro acontece em um momento crítico para a Hapvida, marcado por ruídos públicos com acionistas. Na semana passada, a gestora Squadra Investimentos divulgou uma carta questionando abertamente a governança da companhia.

O documento defendia a adoção do voto múltiplo na eleição do conselho. Esse mecanismo pode alterar o equilíbrio de poder nas assembleias.

A Squadra afirma deter 6,98% do capital votante da Hapvida, uma participação significativa que lhe dá voz ativa. Na mesma carta, a gestora indicou três nomes para o colegiado e defendeu mudanças na composição do board.

Isso mostra insatisfação com a direção atual. As críticas não se limitaram à estrutura, mas atingiram decisões estratégicas da companhia.

O que a gestora Squadra questionou

Entre os pontos criticados pela Squadra estão:

  • A integração após a fusão com a NotreDame Intermédica.
  • A deterioração operacional observada nos últimos períodos.
  • A remuneração da administração.

A gestora considerou que esses fatores impactaram negativamente o desempenho da empresa. A remuneração, em especial, tornou-se um ponto de forte atrito.

Remuneração do conselho em foco

Segundo dados da própria Squadra, a previsão é que os conselheiros da Hapvida ganhem R$ 57 milhões neste ano. Esse valor coloca o pagamento do conselho da empresa como o terceiro maior entre as companhias do Ibovespa.

Ele se equipara, por exemplo, ao time do Itaú (ITUB4). A comparação com um banco de grande porte intensificou o debate sobre a adequação desses valores em um momento de desafios operacionais.

Os desafios da nova liderança

Com a transição concluída, a nova gestão herdará não apenas os planos de eficiência e digitalização. Ela também enfrentará a pressão por uma governança mais transparente e alinhada com os acionistas.

A expectativa do mercado é que Luccas Adib e sua futura equipe consigam reverter a percepção negativa. O objetivo é reconduzir a Hapvida a um patamar de resultados mais sólidos.

O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade de executar as prioridades anunciadas enquanto gerencia as relações com os investidores.

Contexto e relevância do caso

A mudança no comando da Hapvida reflete um movimento comum em empresas de capital aberto que enfrentam períodos de transição ou pressão por performance.

O caso ganha relevância por envolver uma das líderes do setor de saúde. Ele também expõe publicamente divergências entre a administração e um acionista relevante.

Os próximos comunicados e resultados trimestrais serão observados com atenção para avaliar os rumos dessa nova fase.

Fonte