O maior processo de recuperação do país
O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen se tornou o maior processo do tipo em andamento no Brasil. A empresa tem cerca de R$ 65 bilhões em dívidas envolvidas, o que coloca a situação sob os holofotes do mercado.
Bancos credores e detentores de títulos de dívida estão em negociações intensas para encontrar uma solução. O cenário exige medidas robustas para garantir a continuidade das operações.
Estratégia de cisão em avaliação
Entre as propostas para salvar a companhia está a cisão da empresa. Essa estratégia visa separar os ativos voltados à produção de açúcar e etanol das operações de combustíveis.
A ideia não é nova. Ela já havia sido pensada pela Cosan e por fundos do BTG em fevereiro, sendo apresentada à britânica Shell na época. Agora, os credores retomam a avaliação dessa possibilidade.
A cisão como alternativa econômica
Os credores entendem que segregar os negócios de usinas e os de distribuição de combustíveis pode ter um sentido econômico relevante para todos. A leitura é a de que pode ser mais fácil chegar a alternativas de saída.
Essas alternativas incluem a chegada de outros investidores ou a realização de transações em bolsa. Com a separação, o percentual de dívida que terá de ser convertido em ações pode diminuir, o que aliviaria parte da pressão financeira.
Proposta de conversão de dívida
A proposta em discussão nas conversas atuais, apresentada pela Shell, envolve a conversão em ações de 40% a 50% das dívidas de bancos e investidores. Esses títulos emitidos pela empresa incluem:
- Bonds
- Debêntures
- Certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs)
A cisão poderia, portanto, criar estruturas mais atrativas para essa reestruturação da dívida.
Queda de braço pela capitalização
Paralelamente à discussão sobre a cisão, as controladoras da Raízen estão travando uma queda de braço a respeito da capitalização da companhia. A fabricante de açúcar e etanol confirmou no início de março que está analisando a proposta de uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões.
A maior parte desse valor, R$ 3,5 bilhões, virá do grupo britânico Shell, que se comprometeu com essa injeção. Outros R$ 500 milhões virão de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., ligada à família de Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador da Cosan.
Pressão dos credores por mais recursos
No entanto, os credores, especialmente os bancos, têm insistido em uma capitalização maior dos acionistas, no caso Shell e da Cosan. Eles pressionam por um aporte mais significativo para fortalecer o balanço da empresa.
Desafios para o aumento de capital
Ainda não se desistiu da ideia de buscar algum aporte da Cosan no aumento de capital da Raízen. Porém, fontes próximas à companhia dizem que o aumento de capital não é possível, exceto com a participação de um terceiro sócio.
Anteriormente, havia sido proposto um terceiro sócio como o BTG Pactual. Isso indica a complexidade para viabilizar novos recursos apenas com as atuais controladoras.
Estrutura acionária atual
Atualmente, a Shell e a Cosan detêm 44% do capital da Raízen cada uma. Os 12% restantes estão nas mãos do mercado. Essa estrutura acionária concentrada torna as negociações sobre aportes adicionais particularmente delicadas.
A necessidade de um terceiro investidor surge como uma condição para destravar a injeção de capital necessária.
O caminho à frente para a Raízen
As discussões seguem em ritmo acelerado. Credores avaliam tanto a cisão quanto a capitalização como vias para a recuperação da empresa.
A separação dos negócios poderia oferecer mais clareza e atratividade para potenciais investidores. Já um aporte maior das controladoras aliviaria imediatamente a pressão da dívida.
O mercado aguarda os desdobramentos dessas negociações cruciais. O desfecho terá impacto significativo não apenas para a Raízen, mas para o setor de energia e biocombustíveis no Brasil.
A companhia, uma joint venture entre gigantes, enfrenta um momento decisivo para reestruturar suas operações e finanças. As próximas semanas devem definir os rumos da maior recuperação extrajudicial em andamento no país.
