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Warren Buffett de Londrina aponta Bradesco e mais 4 ações baratas


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Warren Buffett de Londrina aponta Bradesco e mais 4 ações baratas
Crédito: www.seudinheiro.com

Conhecido no mercado financeiro como o “Warren Buffett de Londrina”, o gestor de investimentos Paiva identificou um conjunto de ações negociadas a preços bastante atrativos na bolsa brasileira. Segundo ele, os múltiplos de empresas sólidas caíram a patamares que não refletem seus fundamentos, abrindo uma janela de oportunidade para investidores de longo prazo.

As indicações incluem papéis de setores variados: os bancos Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), a administradora de shoppings Allos (ALOS3), a seguradora Porto Seguro (PSSA3) e a fabricante de calçados Vulcabras (VULC3).

Cenário de mercado atrai capital e expõe pechinchas

O interesse de investidores estrangeiros pela bolsa brasileira deu sinais expressivos ao longo do ano. Em abril, o Ibovespa chegou a encostar nos 200 mil pontos, um patamar histórico que acendeu o alerta para possíveis excessos, mas também evidenciou a força do fluxo de recursos.

Até meados deste mês, o fluxo internacional acumulado batia a marca de R$ 70 bilhões, embora o saldo anual de 2025 tenha ficado em R$ 25,47 bilhões, refletindo movimentações mais comedidas nos últimos meses.

O gestor Paiva destaca que, nesse ambiente, diversas ações passaram a ser negociadas por múltiplos extremamente comprimidos. Algumas chegaram a ser transacionadas a até três vezes o preço sobre o lucro, enquanto outras companhias viram seu valor de mercado encolher para apenas metade do valor patrimonial. Esses indicadores, historicamente baixos, sugerem que há um desconto relevante em empresas de qualidade, o que justifica a postura otimista do investidor.

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Bradesco (BBDC4): valuation abaixo do patrimônio e resultados à vista

A ação do Bradesco é um dos exemplos que Paiva considera emblemático. De acordo com o gestor, o papel está com preço abaixo do valor patrimonial e negociando a seis vezes o lucro projetado para este ano.

Recentemente, o ativo quase encostou nos R$ 22, mas a piora do sentimento do mercado — influenciada por incertezas macroeconômicas e políticas — provocou uma correção, levando a cotação de volta para a faixa de R$ 18.

Apesar da volatilidade, analistas consultados veem o banco entregando fortes resultados no segundo trimestre. A expectativa é que os números do balanço possam reacender o interesse dos investidores e dar sustentação a uma recuperação das cotações. Para Paiva, o valuation atual contrasta com a capacidade de geração de lucro do Bradesco, o que torna o papel um alvo natural para quem busca valor.

Banco do Brasil (BBAS3): desafios no agronegócio e reposicionamento na carteira

No caso do Banco do Brasil, o cenário é mais complexo. A instituição enfrenta desafios significativos vindos do agronegócio, setor que desde 2024 vive um ciclo ruim devido à explosão da inadimplência entre produtores.

Paiva apontou que a ação está sendo negociada a aproximadamente 70% do valor patrimonial e, em suas projeções, a um múltiplo de cinco ou seis vezes o lucro.

O gestor revelou que sua equipe saiu quase totalmente da posição no final de 2024, uma reação à deterioração do ambiente de crédito rural. No entanto, posteriormente, a equipe voltou a montar uma posição média no banco, sinalizando que enxerga uma possível estabilização da carteira e atratividade no preço corrente. A estratégia reflete a leitura de que o mercado já precificou boa parte dos riscos, mesmo que a recuperação total ainda demande tempo.

Allos (ALOS3): renda recorrente com dividendos e potencial de valorização

A Allos, empresa do setor de shopping centers, é outra aposta do gestor. Paiva destacou que a companhia divulgou um guidance de pagar algo como 1% ao mês em dividendos, o que equivale a um retorno aproximado de 30% a 40% nos próximos três anos apenas com proventos.

Ainda assim, a ação acumula queda de 6% no ano, movimento que, na visão do investidor, torna o papel ainda mais atrativo. Combinando a distribuição de resultados expressivos com a desvalorização recente, a Allos oferece um potencial de retorno total significativo.

A tese combina o fluxo de caixa recorrente dos shoppings com a recuperação gradual do varejo físico, fatores que devem continuar impulsionando a geração de valor da companhia.

Porto Seguro (PSSA3) e Vulcabras (VULC3): resiliência e desconto excessivo

Completando a lista de recomendações, Paiva mencionou a Porto Seguro e a Vulcabras. A seguradora, segundo ele, é negociada a oito vezes o lucro, um múltiplo que considera baixo para uma empresa com histórico de resultados sólidos e marca consolidada.

Já a Vulcabras, fabricante de calçados esportivos e casuais, chama a atenção por sua resiliência financeira: a companhia vem ano após ano aumentando o lucro, praticamente não tem dívidas e, ainda assim, viu sua ação cair mais de 30% neste ano. Negociada a sete vezes o lucro, a queda parece exagerada aos olhos do gestor.

A empresa tem se beneficiado de uma gestão eficiente e de uma estratégia de marcas fortes, o que a coloca em posição privilegiada para enfrentar eventuais turbulências de consumo.

Estratégia de investimento ignora ruídos eleitorais

Questionado sobre eventuais ajustes na carteira para se antecipar às eleições, Paiva foi categórico: não houve nenhuma mudança brusca. A equipe mantém o foco nos fundamentos de longo prazo das empresas investidas, sem tentar fazer leituras políticas de curto prazo. A convicção é de que as distorções atuais de preço, muitas delas amplificadas por ruídos eleitorais e macroeconômicos, serão corrigidas com o tempo. A postura se alinha ao perfil do “Warren Buffett de Londrina”, que prega a paciência e a concentração em empresas de qualidade adquiridas por valores depreciados.

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