Brasileiros se mobilizam para ‘secar’ Argentina na final
A Argentina está em mais uma final de Copa do Mundo em 2026. Dessa forma, os brasileiros começam a se movimentar para “secar” os hermanos na partida que valerá o tetracampeonato para a albiceleste ou o bicampeonato para a seleção da Espanha, neste domingo (19). Esse comportamento não é novidade: torcer contra o vizinho faz parte da cultura futebolística brasileira. Mas por que essa rivalidade é tão intensa? A resposta está na história e no esporte.
Independências diferentes geraram rivalidade inicial
O próprio processo de independência dos países é um motivo de rivalidade em si. O Brasil seguiu como um império após a independência, já nossos vizinhos se tornaram repúblicas. Essa diferença política e institucional criou um distanciamento inicial. Essa maneira de olhar para a formação dos países, amplamente ensinada no período imperial, foi o primeiro passo para gerar a “rixa” que existe até hoje com os hermanos. Enquanto o Brasil mantinha a monarquia, a Argentina e outras nações hispano-americanas adotavam o republicanismo, o que alimentou visões contrastantes sobre identidade e destino nacional.
Copa América acirrou a disputa no futebol
Alves explica que, dentro do campo, o que colocou mais “lenha” na rivalidade entre Brasil e Argentina não foram confrontos de Copa do Mundo, mas sim da Copa América. Os argentinos foram campeões da América muitas vezes, o início da rivalidade [no campo] está aí. Até próximo de 1950, eles eram quase que ‘café com leite’. A Argentina vai assumir esse posto [de rival] exatamente quando o Uruguai começa a perder peso e os hermanos começam a chegar mais fortes. Foi só a partir do final da década de 1930 que os Argentinos engataram em uma sequência de títulos na América. Entre 1937 e 1947, eles disputaram 6 das 7 finais do campeonato e venceram 5, sendo 3 delas contra o Brasil. Essa hegemonia continental despertou a atenção e a rivalidade dos brasileiros, que viam a Argentina como o principal obstáculo para o domínio sul-americano.
Os confrontos diretos na Copa América tornaram-se momentos de tensão e orgulho nacional. Cada vitória ou derrota era carregada de significado, reforçando a narrativa de dois gigantes do futebol que se enfrentam não apenas por um título, mas por uma supremacia regional. A partir da década de 1940, os jogos entre Brasil e Argentina passaram a ser vistos como clássicos, com grande cobertura da imprensa e expectativa popular. A rivalidade extrapolou as quatro linhas e se incorporou ao imaginário coletivo dos dois países.
Raízes históricas e culturais da rivalidade
Além do futebol, a rivalidade tem componentes históricos e culturais. A diferença nos processos de independência foi apenas o começo. Durante o século XIX e início do XX, Brasil e Argentina disputaram influência política e econômica na América do Sul. O Brasil, com sua extensão territorial e população, e a Argentina, com seu desenvolvimento econômico e cultural, especialmente Buenos Aires, sempre buscaram se destacar. Essa competição se refletiu em diversos campos, desde a literatura até a diplomacia. No futebol, a rivalidade encontrou um palco perfeito para se manifestar de forma intensa e apaixonada.
Os torcedores brasileiros, ao secarem a Argentina, não estão apenas torcendo contra um adversário esportivo, mas também expressando uma rivalidade que tem raízes profundas. A cada final, como a deste domingo, a memória histórica é reavivada, e os brasileiros se unem em um sentimento de oposição ao vizinho. A Argentina, por sua vez, também alimenta essa rivalidade, criando um ciclo que se retroalimenta. A final de 2026 é mais um capítulo dessa longa história, que mistura esporte, política e identidade nacional.
