O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, vive um momento de forte desvalorização. Segundo relatório do Bank of America, o índice acumula uma queda de 19% em dólares desde a máxima registrada em 14 de abril. Com isso, o Brasil, que começou o ano liderando a captação estrangeira na América Latina, agora amarga a lanterna entre os vizinhos. A reversão de fluxo é drástica: os estrangeiros retiraram R$ 38,2 bilhões da bolsa após atingirem um pico de aportes de R$ 56,4 bilhões em abril. A seguir, os motivos da reversão e o que esperar da bolsa nos próximos meses.
Queda de 19% em dólares
De acordo com o Bank of America, o Ibovespa acumula uma queda de 19% em dólares desde a máxima de 14 de abril. Esse desempenho coloca o índice na lanterna entre os principais mercados da América Latina. Enquanto isso, outros países da região conseguiram atrair mais investidores ou apresentaram retornos melhores no mesmo período. A desvalorização em moeda forte é ainda mais severa para quem investe lá fora, pois combina a queda do índice em reais com a desvalorização cambial.
O cenário contrasta com o início do ano, quando o Brasil liderou com folga a captação estrangeira na região. Até abril, o país acumulava R$ 68 bilhões em entradas líquidas, superando os vizinhos. O otimismo, porém, evaporou rapidamente. A virada de humor dos investidores estrangeiros foi brusca, e os números recentes mostram uma sangria constante de recursos.
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Saques recordes de estrangeiros
Os estrangeiros retiraram R$ 38,2 bilhões da bolsa após o pico de aportes de R$ 56,4 bilhões registrado em abril. O movimento de saída se intensificou ao longo dos meses. Entre os dias 10 e 14 de agosto, os saques somaram R$ 12,6 bilhões, a maior saída registrada em uma única semana desde 2008. Em agosto, a sangria ultrapassou os R$ 18 bilhões, evidenciando a magnitude da fuga de capital.
Esses números refletem um cenário de aversão a risco e falta de confiança no mercado brasileiro. Apesar disso, Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, destaca que a queda acentuada gerou valuations extremamente descontados em diversos papéis. Para ele, isso pode representar uma oportunidade para investidores de longo prazo, que enxergam valor em empresas sólidas negociadas a preços baixos.
Valuations descontados e oportunidades
Com a queda do Ibovespa, muitos papéis passaram a ser negociados a múltiplos historicamente baixos. Segundo o Inter, o índice vem negociando abaixo da média histórica de preço em relação ao lucro (P/L) desde 2021. O banco usa o P/L como indicador de valuation após a temporada de balanços do segundo trimestre. No cenário-base, o Inter adotou um múltiplo de 9,5 vezes, considerado conservador pelo analista Rafael Winalda.
Winalda afirma que esse múltiplo oferece uma margem de segurança relevante. Ele ressalta que não é preciso contar com cenários mágicos ou lucros astronômicos para justificar um upside relevante. As estimativas do banco apontam para um preço-alvo de aproximadamente 193 mil pontos para o Ibovespa no final de 2026 e de 204 mil pontos para 2027. Isso representa um potencial de valorização significativo em relação aos níveis atuais, o que pode atrair novamente o capital estrangeiro.
Interesse de longo prazo permanece
Apesar da saída recente de recursos, os gestores seguem de olho na abundância brasileira de minerais críticos, no potencial energético e no peso das commodities. Esses fatores estruturais mantêm o Brasil no radar de investidores que buscam exposição a setores estratégicos. A transição energética global e a demanda por minerais como lítio e terras raras colocam o país em posição privilegiada.
No curto prazo, porém, o sentimento é de cautela. A volatilidade deve persistir enquanto não houver sinais claros de estabilização econômica e política. Para o investidor individual, a recomendação é avaliar cada papel com cuidado, aproveitando os preços descontados, mas sem ignorar os riscos. Em crises anteriores, como em 2015 e 2020, o Ibovespa se recuperou após quedas fortes, mas a recuperação levou meses e exigiu seleção de ativos.
Fonte
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