As redes de farmácias seguem surfando uma combinação poderosa: demanda resistente por medicamentos, avanço dos genéricos e o “boom” dos remédios para obesidade e diabetes. Essa conjunção de fatores mantém o setor no radar do BTG Pactual, que voltou a defender uma visão positiva após a divulgação dos dados de julho do Sindusfarma.
O banco avalia que o crescimento do setor segue saudável, embora o sell-out total tenha desacelerado de 13,5% no primeiro trimestre para 9,3% no segundo. Mesmo assim, a recomendação de compra para o segmento foi sustentada, com os analistas enxergando uma trajetória positiva apoiada em três pilares: avanço dos genéricos, demanda resistente por medicamentos e crescimento dos remédios GLP-1.
Vendas da indústria crescem 9,3% em julho
De acordo com os dados do Sindusfarma, as vendas consolidadas da indústria farmacêutica cresceram 9,3% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação a junho, o setor ficou praticamente estável, o que indica uma acomodação após um período de expansão mais intensa.
Os números acompanham o chamado sell-out da indústria, que representa a venda feita ao consumidor final. Esse indicador mede o quanto efetivamente saiu das prateleiras das farmácias, e não apenas o volume vendido pela indústria para distribuidores ou varejistas. Por isso, ajuda a medir a demanda real por medicamentos no varejo farmacêutico.
O sell-out total avançou 13,5% no primeiro trimestre de 2026, contra 9,3% no segundo trimestre. Essa desaceleração, no entanto, não preocupa o BTG, que considera o ritmo ainda saudável e consistente com um mercado em expansão.
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GLP-1: nova fonte de receita para farmácias
Os medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento de obesidade e diabetes, tornaram-se uma fonte relevante de receita para as redes de farmácia. No segundo trimestre de 2026, eles representaram 11% do faturamento das empresas acompanhadas pelo BTG.
Além disso, os GLP-1 responderam por aproximadamente 5 pontos percentuais do crescimento combinado de 16% da receita dessas companhias. Esse desempenho reforça a importância dessa categoria para o setor, que vê nos remédios para obesidade e diabetes um motor de vendas cada vez mais expressivo.
O chamado “efeito Mounjaro” — referência a um dos medicamentos mais populares dessa classe — segue impulsionando a demanda por esses tratamentos. A demanda por esses tratamentos não dá sinais de arrefecimento, impulsionada pela busca por soluções eficazes para doenças crônicas que afetam milhões de brasileiros.
Genéricos e demanda resistente sustentam otimismo
Além do boom dos GLP-1, o avanço dos genéricos é outro fator que sustenta o otimismo do BTG com as farmácias. A maior oferta de medicamentos genéricos amplia o acesso da população a tratamentos, aumentando o volume de vendas nas drogarias.
A demanda resistente por medicamentos, por sua vez, garante uma base sólida de consumo, mesmo em cenários econômicos adversos. Medicamentos são itens essenciais, e as pessoas tendem a manter seus tratamentos independentemente de oscilações na renda.
Combinados, esses fatores criam um ambiente favorável para as redes de farmácias, que conseguem crescer tanto em receita quanto em participação de mercado. O BTG, por isso, mantém a recomendação de compra para o segmento, enxergando potencial de valorização das ações.
Perspectivas para o setor farmacêutico
O cenário para o setor farmacêutico segue positivo, na visão do banco. A normalização do crescimento no trimestre é vista como um ajuste natural após um início de ano muito forte, e não como uma reversão de tendência.
Os analistas destacam que a combinação de genéricos, GLP-1 e demanda resistente deve continuar impulsionando as vendas nos próximos meses. A indústria, por sua vez, segue investindo em inovação e ampliação do portfólio, o que tende a beneficiar toda a cadeia.
Para as farmácias, o desafio é aproveitar essas oportunidades e manter a eficiência operacional. A concorrência é acirrada, mas aquelas que conseguirem se posicionar bem diante dessas tendências devem colher bons resultados.
O BTG, portanto, segue confiante no setor, e os dados recentes reforçam essa visão. Resta acompanhar os próximos indicadores para confirmar se o ritmo de crescimento se mantém no segundo semestre.
