O mercado acionário brasileiro voltou a atrair capital estrangeiro de forma expressiva. Segundo levantamento do Bank of America (BofA), os gringos injetaram R$ 3,2 bilhões via mercado à vista na B3 em apenas uma semana. O movimento ocorre após um agosto marcado por fortes saídas, quando as retiradas estrangeiras chegaram a encostar na marca de R$ 22 bilhões. A reviravolta coloca o Brasil em posição de destaque entre os mercados emergentes, superando rivais como México e Coreia do Sul no período.
O desempenho do Ibovespa na semana reforça a percepção de retomada. O índice entregou um retorno total em dólares de +1,9% e +2,0% em termos nominais no mercado local. Em comparação, o MSCI Emerging Markets (emergentes) teve +0,1%, evidenciando o desempenho superior da bolsa brasileira. A carteira de grandes líderes de mercado em setores maduros rendeu +3,0% na semana, enquanto a carteira de empresas que combinam forte histórico de crescimento, dominância em seus mercados, escala e alta rentabilidade rendeu +2,3% no mesmo período.
Fluxo estrangeiro muda de direção
O saldo acumulado do capital externo no ano está positivo em R$ 16 bilhões, apesar das turbulências recentes. O mercado à vista registrou entradas líquidas de R$ 36 bilhões no ano, indicando que a confiança dos investidores internacionais no Brasil permanece resiliente. Os fundos de mercados emergentes fora da China captaram US$ 700 milhões na semana, um sinal de apetite renovado por ativos de risco. Parte dessa liquidez migrou direto para a América Latina (+US$ 200 milhões) e para fundos dedicados exclusivamente ao Brasil (+US$ 100 milhões).
A Coreia do Sul registrou saída líquida de US$ 500 milhões no mesmo período, contrastando com o fluxo positivo de US$ 100 milhões para fundos dedicados ao Brasil. O Bank of America destaca que pesquisas recentes de intenção de voto têm mostrado uma maior convergência entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, o que pode estar contribuindo para reduzir a percepção de risco político.
A fonte não detalhou os motivos específicos para a saída de capital da Coreia do Sul, mas o movimento reflete uma rotação global de portfólios em busca de valuations mais atrativos.
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Desempenho superior aos pares
O Ibovespa (Brasil) teve +1,9% em dólares (+2,0% em reais), superando o S&P 500, México e Coreia do Sul no período analisado. O Ibovespa negocia a um múltiplo preço/lucro 10% abaixo da média dos últimos cinco anos, o que pode justificar o interesse renovado dos investidores estrangeiros. A combinação de valuation descontado e fluxo positivo sugere que a bolsa brasileira pode continuar atraindo capital nas próximas semanas.
O rebalanceamento do índice entra em vigor em 8 de setembro, e a B3 divulga a prévia do índice em 31 de agosto. Segundo o banco, entra a Tenda (TEND3) no índice e sai a Petroreconcavo (RECV3). Essas mudanças podem gerar ajustes adicionais nos fluxos de investimento, uma vez que fundos indexados precisam se adaptar à nova composição.
Perspectivas para o investidor
Para o investidor individual, o momento é de atenção aos fundamentos. O fluxo estrangeiro positivo é um sinal de confiança, mas a volatilidade recente exige cautela. Considere empresas com lucro crescente nos últimos três anos, margem líquida acima de 10% e dívida controlada; evite concentrar mais de 20% da carteira em um único setor. O desempenho das carteiras de líderes de mercado (+3,0%) e de empresas de alto crescimento (+2,3%) indica que a seleção de ativos é crucial.
A fonte não detalhou projeções futuras para o Ibovespa, mas os dados atuais mostram um mercado em recuperação. Se você tem posição em Tenda (TEND3) ou Petroreconcavo (RECV3), monitore o volume nos dias próximos ao rebalanceamento: fundos indexados precisarão comprar ou vender esses papéis, o que pode causar oscilações.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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