Greg Abel, o novo chefe executivo da Berkshire Hathaway, registrou a totalidade da participação de 27,5% da holding na Kraft Heinz. O movimento sinaliza uma possível revisão estratégica sobre um dos investimentos mais desafiadores da era Buffett.
O legado de um investimento problemático
A Kraft Heinz foi criada por uma fusão em 2015, nascida da aliança entre a Berkshire Hathaway e a 3G Capital. Na época, a união das gigantes de alimentos foi vista como um movimento ousado.
No entanto, o desempenho subsequente mostrou-se decepcionante. Desde 2015, as ações da Kraft Heinz acumulam uma queda de cerca de 70%.
Reconhecimento público de Buffett
Em entrevista à CNBC em 2025, o próprio Warren Buffett reconheceu que a fusão da Kraft Heinz não foi o “negócio brilhante” que imaginava. Essa admissão rara prepara o terreno para as ações de seu sucessor.
Os números de uma posição onerosa
A Berkshire é a maior acionista da Kraft Heinz, com 27,5% do capital da empresa. Esse investimento, porém, tornou-se um peso no balanço da holding.
Em 2025, a Berkshire reconheceu uma baixa contábil de US$ 3,8 bilhões relacionada à participação na Kraft Heinz. Esse valor representa um reconhecimento formal da perda de valor do ativo.
Dados do terceiro trimestre de 2025
- Custo do investimento: US$ 8,5 bilhões
- Valor de mercado estimado: US$ 7,7 bilhões
A diferença evidencia o prejuízo latente na carteira, pressionando por uma decisão estratégica.
A saída da sócia e a reestruturação
O cenário tornou-se mais complexo com a saída da parceira original do negócio. A 3G Capital saiu completamente do investimento na Kraft Heinz em 2023.
A retirada do fundo de private equity removeu um pilar do plano inicial. Com isso, a Berkshire ficou como a principal força por trás da participação.
Possível cisão da Kraft Heinz
Paralelamente, a Kraft Heinz estuda se dividir em duas unidades:
- Uma parte ficaria com molhos, pastas e refeições de longa duração
- A outra abrangeria marcas como Oscar Mayer, Kraft Singles e Lunchables
A possível cisão é um movimento de reestruturação que busca revitalizar o negócio, mas seu sucesso permanece incerto.
Os próximos passos de Greg Abel
O registro da participação total por Greg Abel é um passo administrativo, mas carrega significado simbólico. Como novo CEO, ele herda a responsabilidade por decisões de portfólio que definirão seu legado.
A ação pode ser um prelúdio para uma venda futura ou, ao menos, para uma revisão profunda do compromisso com a empresa de alimentos.
Próximas atualizações
A próxima atualização relevante das posições da Berkshire deve vir em meados de maio. Esse relatório trimestral trará mais clareza sobre se a holding manteve, aumentou ou reduziu sua participação na Kraft Heinz.
Investidores e analistas aguardam os dados para avaliar a direção traçada pela nova liderança.
O fim de um capítulo para Buffett
A possível mudança de rumo na Kraft Heinz marca um momento de transição para a Berkshire Hathaway. Representa um afastamento de uma aposta que não se concretizou como o esperado.
Para Warren Buffett, significa ver um de seus “sonhos grandes” – a criação de uma potência global de alimentos – enfrentar um destino diferente do planejado.
O episódio serve como um lembrete de que até os investidores mais celebrados enfrentam revezes. A habilidade de reconhecer erros e ajustar o curso, no entanto, permanece como uma virtude crucial no mundo dos negócios.
O que vem a seguir dependerá das escolhas de Greg Abel diante desse legado complexo.
