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Amapá Minerals: mineradora que conquistou o BTG pode saltar 62%


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Amapá Minerals: mineradora que conquistou o BTG pode saltar 62%
Crédito: www.seudinheiro.com

Uma mineradora brasileira com uma única mina de ouro, histórico de recuperação judicial e produção travada por quatro anos acaba de abrir capital na bolsa de valores do Canadá. A Amapá Minerals, listada sob o ticker AMAP, recebeu recomendação de compra do BTG Pactual, que enxerga potencial na empresa. O banco projeta uma valorização de 62% para as ações em 12 meses, despertando a atenção do mercado para uma companhia que poucos conheciam.

A trajetória da Amapá Minerals é marcada por altos e baixos. Sua principal operação, a Mina Tucano, opera há mais de duas décadas, mas passou por sucessivas trocas de controle e problemas operacionais. Agora, com a reestruturação concluída e a produção retomada, a empresa tenta escrever um novo capítulo. Entenda como essa mineradora chegou até aqui e por que o BTG acredita em sua recuperação.

Uma mina com história

A Mina Tucano está localizada em Pedra Branca do Amapari, município com cerca de 13 mil habitantes, no estado do Amapá. A operação começou comercialmente em 2005, mas a área já era explorada desde os anos 90. Nesse período, a mina passou pelas mãos de pelo menos nove proprietários, o que reflete a instabilidade que marcou o empreendimento.

Apesar das trocas de comando, a mina conseguiu produzir mais de 1,5 milhão de onças de ouro desde 2005. Esse volume evidencia o potencial do ativo, que sempre atraiu interessados, mas também enfrentou dificuldades para manter uma operação estável. A última controladora antes da reestruturação foi a canadense Great Panther, que assumiu a mina em um momento de expansão, mas acabou surpreendida por problemas técnicos.

Em 2022, uma falha geotécnica comprometeu o acesso às reservas de ouro, forçando a suspensão total da produção. O incidente foi um golpe duro para a Great Panther, que já enfrentava desafios financeiros. A mina, que era o principal ativo da empresa, ficou parada, e a situação se agravou rapidamente.

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Recuperação judicial e recomeço

Com a mina parada, a dívida da operação se acumulou. A Mina Tucano Ltda, empresa que controlava o ativo, acumulava cerca de US$ 195 milhões em obrigações. Sem conseguir honrar os compromissos, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial em 2022, um processo que se arrastou por dois anos.

Em 2023, a Tucano Gold comprou 100% da empresa que detinha a mina, apostando na retomada das operações. A aquisição foi um passo importante, mas a recuperação judicial só foi concluída em 2024, com uma redução significativa da dívida: cerca de 65% dos débitos foram reestruturados ou perdoados. Esse alívio financeiro foi essencial para viabilizar a retomada.

Em 2025, o controle da companhia passou para a gestora brasileira Starboard, que assumiu o desafio de reativar a Mina Tucano. A nova gestão trouxe uma abordagem mais enxuta e focada em eficiência, preparando o terreno para a reabertura da mina.

Retomada da produção

Depois de quatro anos parada, a Mina Tucano finalmente retomou suas atividades. A empresa não detalhou os desafios operacionais, mas a volta da produção é um marco importante. O BTG Pactual, que acompanha de perto a empresa, projeta uma produção de 18 mil onças de ouro em 2026, um número modesto, mas que representa o recomeço.

A expectativa, porém, é de crescimento acelerado. O banco estima que a produção pode quintuplicar até 2029, alcançando 100 mil onças anuais. Essa projeção se baseia na capacidade instalada da mina e na experiência da nova gestão, mas depende de uma execução impecável e de condições favoráveis de mercado.

Para o investidor, a recomendação do BTG é um sinal de confiança. O banco enxerga um potencial escondido na Amapá Minerals, que pode se concretizar se a empresa conseguir manter a produção em ritmo crescente e controlar os custos. A ação, listada no Canadá, oferece uma oportunidade para quem busca exposição ao ouro, mas com riscos consideráveis.

O que esperar da Amapá Minerals

A Amapá Minerals representa uma aposta de recuperação. A empresa tem um ativo com histórico de produção relevante, mas também um passado de instabilidade. A reestruturação financeira e a nova gestão trazem esperança, mas o caminho é longo.

O BTG Pactual acredita que a ação pode saltar 62%, mas isso depende de a empresa cumprir as metas de produção e manter a disciplina financeira. Para o leitor, fica a lição de que investir em mineração exige paciência e tolerância a riscos. A Amapá Minerals é um caso de superação, mas ainda precisa provar que pode ser um negócio sustentável no longo prazo.

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