Em 2004, o filme ‘Sideways’ (Entre Umas e Outras) virou cult e mudou o mercado: as vendas de Merlot caíram 2% entre 2005 e 2008, enquanto a Pinot Noir disparou. O filme, que virou cult, provocou uma reviravolta no mercado: as vendas de Merlot, que cresciam cerca de 13% ao ano nos Estados Unidos, estagnaram, com uma queda imediata de 2% registrada entre 2005 e 2008. Em contrapartida, a Pinot Noir, a uva protagonista da trama, ganhou os holofotes e se consolidou como uma das castas mais desejadas.
Mas o que torna essa uva tão especial? Pinot Noir é uma uva delicada, de produção considerada desafiadora. Uma casta tinta, de pele fina, que requer clima fresco a moderado para desenvolver-se bem. Sua suscetibilidade às mudanças climáticas, bem como a doenças, a torna particularmente difícil. Essa complexidade, no entanto, é justamente o que encanta produtores e apreciadores, que buscam expressões únicas de terroir.
Da Borgonha para o mundo
Para começar, o Bourgogne Pinot Noir da Maison Albert Bichot é uma porta de entrada equilibrada, com fruta fresca e preço acessível. Ele foca no equilíbrio e em uma paleta aromática centrada na fruta fresca, sendo uma porta de entrada perfeita para a casta.
Outra opção é o Domaine de Valmoissine, da Maison Louis Latour, na Provence, que entrega elegância e frescor. O resultado demonstra uma elegância que a borgonhesa Maison Louis Latour busca imprimir em seus vinhedos, mantendo o frescor característico da uva que celebramos neste 18 de agosto.
Para aprofundar, o Bourgogne Rouge da Maison Louis Latour expressa a tipicidade da Borgonha, com vinhedos da Côte d’Or a Mâconnais. O rótulo busca traduzir a essência do solo borgonhês, com vinhedos espalhados da Côte d’Or, mais ao norte, a Mâconnais, mais ao sul. Trata-se, portanto, de um vinho que preza pela tipicidade histórica da casta em seu berço de origem, entregando um perfil elegante e representativo da denominação regional.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.seudinheiro.com
Expressões de terroir
A diversidade da Pinot Noir se revela em diferentes regiões. O Chassagne-Montrachet Rouge, da porção sul da Côte de Beaune, rompe com a fama branca da comuna e entrega estrutura e complexidade. É um vinho de maior complexidade e estrutura, elaborado a partir de vinhedos selecionados. Diferente de outros exemplares desta lista, o rótulo apresenta personalidade marcante e é indicado para experiências gastronômicas mais exigentes, refletindo o prestígio dos grandes vinhos da região.
O Bourgogne Pinot Noir de Nicolas Potel equilibra frutas negras e vermelhas com madeira discreta, final refinado. Seu foco, porém, está na nitidez da fruta e na textura macia dos taninos. Na gastronomia, sua versatilidade permite acompanhar desde aves e queijos de cura média até pratos com cogumelos e carnes de caça. Em comum, mantém um final de boca refinado.
Leveza e jovialidade
Para quem prefere vinhos mais descomplicados, um exemplar francês apresenta perfil vibrante. Como não passa por barris de carvalho, preserva sua leveza natural e suas notas de fruta. Produzido na ensolarada Languedoc-Roussillon, no sul da França, leva a Indicação Geográfica Protegida Pays d’Oc, ou seja, respeitando regras de produção adequadas – o que não o impede de apresentar perfil descontraído, ideal para ser consumido com ou sem acompanhamento de comida.
Originário do Valle do Uco, na Argentina, um vinho foca na juventude da casta. A vinificação ocorre inteiramente em recipientes de inox para ressaltar as características do terroir de altitude. No paladar, demonstra versatilidade, podendo escoltar desde massas com molho de tomate até pratos com salmão ou cogumelos.
Estrutura e complexidade
Localizada em Mendoza, uma vinícola propõe uma versão mais estruturada da variedade. Aqui, o vinho repousa por um ano em barricas de carvalho francês, o que lhe confere um corpo médio e um final persistente na boca. A integração entre a madeira e a fruta é feita com equilíbrio, de modo a manter a delicadeza típica da cepa. Ao mesmo tempo, porém, é o que torna ainda melhor sua harmonização com carnes magras e acompanhamentos à base de fungos.
Parte de uma iniciativa que explora microclimas chilenos, um vinho utiliza um método de maturação tripartido: carvalho francês usado, tanques de inox e ovos de concreto por um ano. Após esse período, descansa mais doze meses na garrafa. O resultado é uma bebida que privilegia a mineralidade e a identidade do solo de Leyda, apresentando textura sedosa e perfil multifacetado.
Proveniente do Vale do Limarí, um exemplar destaca-se pelo manejo orgânico e biodinâmico no vinhedo. Sua estrutura é robusta, com presença de notas minerais e um retrogosto prolongado.
Com tantas opções, fica claro por que a Pinot Noir é considerada a “movie star” temperamental do mundo dos vinhos: difícil de cultivar, mas capaz de produzir experiências inesquecíveis. Qual desses rótulos você vai provar primeiro?
Fonte
- www.seudinheiro.com
- Inovini (inovini.com.br)
- Boccati (www.boccati.com.br)
- Adega Tanino (www.adegatanino.com.br)
- Empório Itiê (www.emporioitie.com.br)
- DiaWine (www.diawine.com.br)
