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Real perde fôlego entre moedas emergentes; eleição pesa


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Real perde fôlego entre moedas emergentes; eleição pesa
Crédito: www.seudinheiro.com

O real, moeda brasileira, vive um momento de virada no mercado internacional. Durante boa parte do ano, investidores globais mantiveram posições otimistas (compradas) no real, mas o cenário mudou. Agora, a moeda acumula queda de cerca de 2,5% na semana, enquanto rivais emergentes, como o peso mexicano e o colombiano, avançam. A inversão reflete o prêmio eleitoral e o risco fiscal, que levam fundos a reduzir posições no Brasil.

Otimismo que virou cautela

Até recentemente, o real era visto como um dos queridinhos dos emergentes. Relatórios divulgados nos últimos dias por grandes bancos mostram que o mercado entra na campanha com posições ainda compradas em real. No entanto, já há um movimento de desmonte diante do cenário eleitoral, aumentando a pressão sobre a moeda brasileira.

Grandes fundos começaram a reavaliar a exposição ao risco brasileiro. O JPMorgan rebaixou a recomendação para a compra de ativos brasileiros, e a provedora de índices MSCI anunciou a exclusão dos papéis da Stone da sua carteira de referência para o país. Esses sinais, vindos de referências do mercado internacional, acenderam um alerta sobre o Brasil.

O movimento é claro: gestores realizam lucros, vendem real e compram moedas emergentes de países que não enfrentam incertezas políticas no momento, além do próprio dólar. A preferência por destinos mais estáveis, como México e Colômbia, fica evidente nos números.

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Prêmio eleitoral e risco fiscal

O mercado passa a precificar o chamado prêmio eleitoral. Isso significa que os investidores exigem um retorno maior para manter o capital no país, como compensação pelo risco de mudanças bruscas na política econômica. A preocupação dos analistas alcança a sustentabilidade da trajetória fiscal nos próximos anos, um tema que ganha ainda mais relevância em ano de eleição.

Os partidos têm até este sábado (15) para registrar seus candidatos, e a campanha eleitoral começa oficialmente no domingo (16). A partir daí, o comportamento dos ativos brasileiros, entre eles o real, continuará sensível aos desdobramentos da campanha e às propostas econômicas apresentadas.

Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, resume o clima: ‘Grandes fundos globais estão reduzindo posição no Brasil para se protegerem da volatilidade do período eleitoral e das incertezas no campo fiscal’. Essa fala reflete o que se vê na prática: um movimento de desmonte de posições que aumenta a pressão sobre a moeda.

Dólar rompe média móvel

Na semana, o real acumula uma queda de cerca de 2,5% com relação ao dólar. No mesmo período e na mesma base de comparação, o peso mexicano e o peso colombiano avançaram 0,60%, enquanto o won da Coreia do Sul se manteve estável, com leve ganho de 0,06%. O contraste mostra que o Brasil ficou para trás entre os emergentes.

A moeda norte-americana superou a média móvel de 200 dias cotada em torno de R$ 5,20. Esse rompimento é visto por analistas como um sinal técnico de que a tendência de curto prazo pode ser de depreciação adicional do real.

Para o investidor comum, a alta do dólar encarece viagens e importados, mas não há estimativa de impacto. Mas também abre oportunidades para quem tem recursos em dólar e pensa em investir no Brasil, já que os ativos locais ficam mais baratos para quem está de fora.

O que esperar daqui para frente

Os ativos brasileiros seguirão sensíveis aos desdobramentos da campanha. A preocupação fiscal é recorrente, mas a fonte não detalhou propostas específicas.

Enquanto isso, o mercado deve seguir volátil. A combinação de prêmio eleitoral, incerteza fiscal e movimento de desmonte de posições sugere que o real pode continuar sob pressão nas próximas semanas. Por outro lado, se o cenário político se acalmar e houver sinais de responsabilidade fiscal, a moeda pode recuperar parte do terreno perdido.

Por ora, o recado dos investidores é claro: eles querem mais retorno para correr o risco Brasil. E enquanto a eleição não define os rumos, o real deve seguir andando de lado, ou pior, perdendo espaço para seus pares emergentes.

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