Economia

Ouro recua pressionado por Fed mais restritivo


4 mins de leitura

Os contratos futuros do ouro encerraram esta sexta-feira (10) em queda, refletindo a pressão contínua exercida por sinais mais conservadores do banco central americano e por incertezas macroeconômicas. O metal precioso, tradicionalmente visto como porto seguro, não conseguiu sustentar ganhos mesmo diante de um dólar ligeiramente mais fraco e da queda nos preços do petróleo.

Queda nos contratos futuros

Os contratos futuros de ouro com entrega para agosto encerraram em queda de 0,65%, cotado a US$ 4.113,7 por onça-troy na Comex. O movimento de baixa ocorre em um contexto de ajuste de expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos, com investidores precificando uma postura mais agressiva do Federal Reserve (Fed) para conter a inflação.

O recuo do ouro acontece apesar de fatores que, em tese, poderiam favorecer o metal. O dólar no exterior tem leve queda, o que geralmente torna o ouro mais barato para detentores de outras moedas. Além disso, os preços do petróleo recuam, o que poderia aliviar pressões inflacionárias. No entanto, a dinâmica de ambos os ativos (petróleo e dólar) não suportou o ouro, indicando que outros fatores predominam.

Fed hawkish pesa sobre o metal

A deterioração do cenário macroeconômico e os sinais mais conservadores (“hawkish”) do banco central americano continuam a pesar sobre a dinâmica de preços do ouro. O Fed tem sinalizado a necessidade de manter juros elevados por mais tempo para combater a inflação, o que aumenta o custo de oportunidade de deter ouro, que não rende juros.

Essa postura contrasta com as expectativas de cortes de juros que alimentaram a alta do ouro em meses anteriores. Agora, o mercado ajusta suas projeções, e o metal reflete essa mudança de cenário. A perspectiva de juros altos por mais tempo fortalece o dólar e os rendimentos dos títulos, ambos concorrentes diretos do ouro como ativos de refúgio.

Analista vê consolidação, não alta

Ole Hansen, do Saxo Bank, avalia que os metais preciosos permanecem pressionados entre sinais de retomada da demanda e uma nova deterioração do cenário macroeconômico. Segundo ele, a dinâmica dos preços corrobora a convicção de que o ouro passou da fase de capitulação para a de consolidação. Isso significa que o metal não está mais em queda livre, mas também não apresenta sinais claros de retomada da tendência de alta.

Hansen acrescentou que isso não significa que o metal esteja pronto para retomar sua tendência de alta anterior. A consolidação pode ser prolongada, com o ouro oscilando em uma faixa estreita enquanto o mercado aguarda novos catalisadores. O analista destaca que o cenário macroeconômico ainda é incerto, com riscos de recessão e pressões inflacionárias persistentes.

Trump e Irã: cessar-fogo em xeque

No campo geopolítico, o presidente Donald Trump afirmou que concordou em dar continuidade às negociações por um acordo de paz definitivo com o Irã. No entanto, Trump ressaltou que o cessar-fogo previsto em um memorando de entendimento assinado pelas partes no mês passado “acabou”. Essa declaração adiciona incerteza ao cenário, mas, por enquanto, não foi suficiente para impulsionar a demanda por ouro como ativo de refúgio.

A falta de reação positiva do ouro às tensões geopolíticas reforça a tese de que o mercado está focado nos fundamentos macroeconômicos e na política monetária. Enquanto o Fed mantiver uma postura hawkish, o ouro deve continuar sob pressão, mesmo com eventos geopolíticos que tradicionalmente elevariam seu preço.

Perspectivas para o ouro

Diante desse cenário, as perspectivas para o ouro no curto prazo permanecem incertas. A consolidação pode dar lugar a novos movimentos de baixa se o Fed surpreender com uma postura ainda mais restritiva. Por outro lado, uma reversão nas expectativas de juros ou um agravamento das tensões geopolíticas poderiam impulsionar o metal.

Investidores devem monitorar de perto os próximos dados econômicos dos EUA, especialmente inflação e emprego, que podem influenciar as decisões do Fed. Além disso, o desenrolar das negociações entre EUA e Irã e outros eventos geopolíticos podem trazer volatilidade para o mercado de ouro.

Fonte