A União Europeia (UE) deu um passo decisivo para proteger sua indústria siderúrgica nesta segunda-feira (13), ao chegar a um acordo preliminar que visa reduzir quase pela metade as importações de aço.
O pacto, que ainda precisa de aprovação formal, estabelece a aplicação de uma tarifa de 50% sobre os embarques que ultrapassarem os novos limites.
A medida é uma resposta direta à crise que afeta o setor, pressionado por volumes elevados de aço estrangeiro e por tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Contexto: um setor sob pressão externa
Os produtores de aço da UE atualmente operam com apenas 65% de sua capacidade total.
Essa subutilização é atribuída, em grande parte, ao aumento das importações e às tarifas de 50% impostas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziram as oportunidades de exportação.
Como consequência desse cenário desafiador, o setor siderúrgico europeu perdeu cerca de 100 mil empregos desde 2008.
Sem uma ação imediata, a produção local poderia cair ainda mais, aprofundando os problemas econômicos e sociais.
Objetivo principal: recuperar capacidade produtiva
Meta de utilização das siderúrgicas
As novas medidas foram desenhadas com um objetivo específico: elevar a utilização da capacidade das siderúrgicas para 80%.
Para alcançar essa meta, o bloco europeu pretende reduzir drasticamente a entrada de aço estrangeiro.
Principais origens das importações
No ano passado, as principais origens dessas importações foram:
- Turquia
- Coreia do Sul
- Indonésia
- China
- Índia
- Ucrânia
- Taiwan
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, já havia proposto essas novas regras em outubro, indicando a urgência da situação.
Mecanismos de implementação
Novos critérios para as importações
Além de estabelecer cotas mais rígidas, as novas medidas levarão mais em conta o local onde o aço importado foi originalmente fundido e vertido.
Essa mudança visa evitar desvios de comércio, onde produtos de um país são enviados para a UE através de outro para burlar restrições.
As regras também serão revisadas regularmente para garantir sua eficácia e ajustá-las conforme a evolução do mercado.
Dessa forma, a UE busca criar um sistema de defesa comercial mais robusto e adaptável.
Foco específico na redução do aço russo
Um ponto específico do acordo envolve a Rússia. As partes se comprometeram a eliminar, gradualmente, as importações de aço russo de forma rápida, possivelmente até setembro de 2028.
No ano passado, cerca de 3,7 milhões de toneladas de placas de aço vieram da Rússia para a UE.
A decisão reflete as tensões geopolíticas em curso e o esforço europeu para reduzir a dependência de matérias-primas de Moscou, alinhando política comercial e estratégia de segurança.
Processo político e próximos passos
O acordo de segunda-feira, porém, ainda não é definitivo.
O Parlamento Europeu e o Conselho da UE, que reúne os governos dos países-membros, precisarão votar a proposta para que as medidas entrem em vigor.
Esse processo político é necessário para transformar o entendimento preliminar em lei comunitária.
Enquanto isso, a indústria siderúrgica europeia aguarda com expectativa a conclusão das etapas formais, na esperança de que as novas regras tragam alívio imediato.
Impacto esperado no mercado siderúrgico
A expectativa é que a redução das importações e a tarifa sobre excedentes restaurem a competitividade das siderúrgicas locais.
Ao limitar a entrada de aço mais barato de outros países, a UE pretende criar um ambiente mais equilibrado para seus produtores.
O sucesso da medida, no entanto, dependerá de sua aplicação prática e da reação dos parceiros comerciais afetados.
O setor aguarda ver se a meta de 80% de utilização da capacidade será alcançada nos próximos anos.
