A construtora Tenda (TEND3) vive um momento de euforia no mercado: suas ações acumulam alta de 115% nos últimos meses. No entanto, por trás desse desempenho, há uma preocupação que ronda a empresa e envolve cerca de R$ 500 milhões. Esse é o montante que a subsidiária Alea, criada para industrializar a construção civil, já consumiu desde sua fundação em 2021. A operação, que nasceu com o objetivo de ganhar escala fora dos grandes centros urbanos e atender o público do Minha Casa Minha Vida, enfrenta desafios operacionais que levaram a margens negativas e à redução da produção.
A aposta na industrialização
A Alea nasceu em 2021 com a ambição de chegar a 2026 com uma produção anual de 10 mil unidades. A subsidiária foi criada com o intuito de levar a lógica de fábrica para a construção civil, um setor tradicionalmente artesanal. O plano inicial era ganhar escala em cidades menores e pouco exploradas por grandes incorporadoras, atendendo parte relevante do público do Minha Casa Minha Vida. A ideia parecia promissora, mas a execução encontrou obstáculos.
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Produção acelerada e freio de mão
Após acelerar os lançamentos e chegar a quase 3 mil unidades em 2024, a companhia precisou pisar no freio em 2025, reduzindo a produção para pouco mais de 1,2 mil casas. Segundo uma fonte ligada à empresa, o erro esteve justamente nessa arrancada na produção que a Alea promoveu entre 2022 e 2024. “A avaliação interna é que a Tenda pisou no acelerador antes de resolver um gargalo crucial: a etapa final das obras”, afirma.
Margem negativa e custos elevados
Os resultados financeiros refletem os problemas operacionais. A margem bruta ajustada ficou negativa em 5,1%, enquanto as projeções da companhia apontavam para um número positivo entre 6% e 10%. Na prática, a Alea perdeu cerca de R$ 5 para cada R$ 100 vendidos. Desde 2021, a operação já consumiu cerca de R$ 500 milhões, um valor que preocupa investidores e acionistas.
Gargalo no acabamento em campo
Embora a produção industrializada tenha avançado, o acabamento em campo continuou sendo um ponto crítico. O plano inicial era contratar empreiteiros para executar essa etapa, como é comum no setor. No entanto, a estratégia esbarrou na falta de volume concentrado. “A Tenda ainda não encontrou a forma ideal de fazer isso. Quando há uma frente contínua de trabalho, o profissional ganha produtividade ao repetir a mesma atividade várias vezes”, diz a fonte.
Dispersão geográfica e custos locais
A companhia tem muitos empreendimentos, mas cada um com escala reduzida e em cidades diferentes. Essa dispersão geográfica — com obras em cidades como Taubaté, Ribeirão Preto e Campinas — impede que as equipes se desloquem entre essas praças. Sem uma frente de trabalho constante, os empreiteiros cobravam preços de pessoa física, impedindo que a Alea atingisse os custos unitários que a Tenda possui em sua operação principal. A companhia precisou contratar empreiteiros locais em cada cidade, o que elevou os custos.
Pressão de gestoras e resposta da Tenda
Uma reportagem do NeoFeed chegou a informar que gestoras com participação minoritária — entre elas, Az Quest, Ibiuna, Kinea e Vinci — estariam pressionando para a Tenda se desfazer do negócio. Em resposta, a Tenda indicou ainda que a Alea representa uma parcela limitada da operação, com consumo de caixa equivalente a cerca de 1% da receita da companhia. Apesar disso, o valor acumulado de R$ 500 milhões e a margem negativa acendem um alerta sobre a viabilidade da subsidiária a longo prazo.
Fonte
- www.seudinheiro.com
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