O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morreu em ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel. Os ataques continuam mirando os aiatolás, membros da Guarda Revolucionária e assessores veteranos de Khamenei, em um momento crítico para a nação.
A situação coloca em risco a sobrevivência do sistema teocrático iraniano, que remonta à revolução de 1979.
O sistema teocrático em xeque
O sistema teocrático do Irã tem suas raízes na revolução de 1979, que depôs o xá. O aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da revolução, introduziu o vilayat-e faqih, ou tutela do jurista islâmico.
Essa teoria sustenta que, até o retorno do 12º Imã do islamismo xiita, que desapareceu no século IX, o poder na Terra deve ser exercido por um clérigo venerável.
Khomeini morreu em 1989, e Khamenei governa desde então, sem nunca ter nomeado publicamente um sucessor preferido. A ausência de um plano claro de sucessão agora expõe fragilidades estruturais.
Quem assume o poder temporariamente?
Um comitê interino previsto pela Constituição assumiu temporariamente as funções do líder. Até a escolha do novo líder, o presidente Masoud Pezeshkian, o aiatolá Alireza Arafi e o aiatolá Gholamhossein Mohseni-Ejei comandarão um conselho de liderança temporário.
A Constituição determina que um novo líder deve ser escolhido em até três meses, um prazo que agora corre sob pressão dos ataques em curso. Esse período transitório será crucial para a estabilidade do país.
Como será escolhido o novo líder?
O papel da Assembleia dos Peritos
A escolha de um novo líder cabe à Assembleia dos Peritos, um órgão composto por cerca de 90 clérigos seniores eleitos a cada oito anos.
Quem assumir como líder supremo deverá ser um clérigo de alto escalão, conforme os princípios do vilayat-e faqih. No entanto, a falta de um candidato claro e os ataques que visam figuras-chave complicam o processo.
A incerteza política se soma à instabilidade militar, criando um cenário de alta tensão.
Quem são os possíveis sucessores?
Entre as figuras mencionadas, a mais importante é o conselheiro veterano de Khamenei, Ali Larijani. O filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, às vezes foi visto como provável sucessor, mas a esposa de Mojtaba foi confirmada como morta em um ataque no Iraque no sábado, o que pode afetar sua posição.
Arafi e Mohseni-Ejei são possibilidades menos proeminentes que provavelmente manteriam a linha dura de Khamenei. Mohseni-Ejei, por exemplo, foi responsável por reprimir protestos internos após o resultado contestado das eleições de 2009, quando era ministro da Inteligência.
O papel da Guarda Revolucionária
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica responde apenas ao líder supremo, tornando-o um ator central na sucessão. Ataques recentes têm mirado membros dessa força, o que pode desestabilizar ainda mais a segurança nacional.
Em 2020, Qassem Soleimani, uma figura proeminente da Guarda Revolucionária, foi morto por um ataque dos Estados Unidos, mostrando a vulnerabilidade do aparato militar iraniano.
A lealdade da Guarda ao novo líder será um fator determinante para a continuidade do sistema.
Desafios para a sobrevivência do sistema
Os ataques em curso e a morte de Khamenei colocam em risco a sobrevivência do sistema teocrático do Irã. A falta de um sucessor designado e a pressão externa criam um vácuo de poder perigoso.
Além disso, a teoria do vilayat-e faqih, que justifica o governo clerical, pode ser questionada se a transição não for suave.
O período de três meses para escolher um novo líder será um teste crucial para a resiliência do regime, em meio a incertezas domésticas e internacionais.
