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Guerra no Oriente Médio derruba previsão de petróleo da AIE


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Guerra no Oriente Médio derruba previsão de petróleo da AIE
Crédito: exame.com

A Agência Internacional de Energia (AIE) voltou a reduzir sua previsão para a demanda global de petróleo em 2026, em meio aos impactos contínuos da guerra no Oriente Médio. O alerta foi feito no relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, que aponta para uma queda de 1,1 milhão de barris por dia (mbpd) na demanda mundial no próximo ano. A redução é quase três vezes maior do que a projetada no mês passado, evidenciando a gravidade da crise.

Queda histórica na demanda

Segundo a AIE, essa seria a primeira queda trimestral da demanda desde 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19. O cenário reflete os efeitos prolongados do conflito no Oriente Médio, que continuam pressionando o mercado mesmo após o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã. A agência destaca que as incertezas geopolíticas e as interrupções no fornecimento têm gerado uma contração significativa no consumo global de petróleo.

A redução na previsão representa um duro golpe para as expectativas de recuperação do setor. Especialistas apontam que a queda na demanda pode ter implicações profundas para os países produtores, que já enfrentam desafios orçamentários. A AIE, no entanto, não detalhou os impactos específicos para cada região, limitando-se a apresentar os dados agregados.

Estoques em níveis críticos

O relatório também revela uma situação preocupante nos estoques globais de petróleo. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as reservas atingiram o menor nível desde 1990, com redução de 163 milhões de barris. As reservas mundiais encolheram quase 220 milhões de barris entre abril e maio, indicando uma pressão crescente sobre a oferta.

A AIE alerta que novas quedas nos próximos meses podem levar os estoques globais a níveis historicamente baixos antes que o mercado volte a apresentar excedente no fim do ano. A situação é agravada pela dificuldade de recomposição das reservas, já que a produção em várias regiões ainda não se recuperou totalmente. A agência não especificou quais países ou regiões estão mais vulneráveis, mas o cenário sugere riscos de desabastecimento em curto prazo.

Acordo EUA-Irã e limitações

A AIE reconheceu que o entendimento alcançado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz cria condições para uma retomada gradual das exportações de petróleo do Oriente Médio. No entanto, o organismo avalia que persistem limitações operacionais e políticas capazes de restringir uma recuperação mais rápida do setor. A reabertura total do estreito, defendida pelo diretor da AIE, Fatih Birol, ainda enfrenta obstáculos práticos e negociações em andamento.

O acordo representa um alívio potencial para o mercado, mas a AIE ressalta que os efeitos concretos podem demorar a se materializar. Enquanto isso, a oferta permanece apertada, e a demanda continua em queda. A agência não forneceu prazos para a normalização do fluxo de petróleo na região.

Liberação inédita de reservas

Para conter os efeitos da crise, os 32 países-membros da AIE anunciaram em março a liberação coordenada de 426 milhões de barris de suas reservas estratégicas. A medida é considerada inédita pela agência, tanto pelo volume quanto pela coordenação entre os países. A liberação visa estabilizar o mercado e evitar picos de preços que poderiam agravar a crise econômica global.

A ação, no entanto, é vista como paliativa, já que as reservas estratégicas têm limites e não podem substituir a produção contínua por longos períodos. A AIE não detalhou como os países estão gerenciando a reposição desses estoques, mas a medida sinaliza a gravidade da situação.

Mudanças estruturais na energia

O diretor da AIE, Fatih Birol, afirmou que a crise já provocou mudanças estruturais na política energética de diversos países. Segundo ele, governos ao redor do mundo passaram a revisar estratégias, fornecedores e opções de segurança energética após os impactos do conflito. A declaração sugere que o choque no mercado de petróleo está acelerando a transição para fontes alternativas e a diversificação de rotas de suprimento.

Na avaliação da AIE, esse cenário poderá trazer alívio ao mercado internacional de petróleo e abrir espaço para a recomposição dos estoques globais. No entanto, a agência não quantificou o impacto dessas mudanças nem apresentou projeções de longo prazo. O relatório deixa claro que a crise atual está remodelando o setor energético, mas os efeitos completos ainda são incertos.

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