Economia

Praias artificiais geram nova onda imobiliária


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Praias artificiais geram nova onda imobiliária
Crédito: valor.globo.com

As praias artificiais estão se tornando um novo atrativo no mercado imobiliário brasileiro, gerando uma onda de investimentos em condomínios e clubes. Com 15 projetos em desenvolvimento no país, o Brasil se consolida como o maior mercado mundial para esse tipo de equipamento de lazer. Empreendimentos como o Fazenda Vista Verde, em Araçoiaba da Serra (SP), e o Beyond The Club, na capital paulista, já mostram a força dessa tendência.

Demanda crescente por lazer

O condomínio Fazenda Vista Verde, em Araçoiaba da Serra (SP), é um dos exemplos mais recentes. O empreendimento conta com uma piscina de ondas com um quilômetro de extensão, tecnologia da empresa espanhola Wavegarden. A estrutura tem capacidade para gerar mil ondas de 20 tipos diferentes por hora, atraindo surfistas e investidores.

Segundo os dados divulgados, cerca de 70% dos três mil títulos de sócio já foram vendidos, com valor médio de R$ 900 mil (cotação de agosto de 2026). Esse valor dá direito ao uso livre de áreas comuns, piscina, academia, quadras de esportes de areia, ginásio poliesportivo e bicicletário, todos mediante disponibilidade. A alta procura reflete a busca por opções de lazer diferenciadas.

José Luiz Lemos, sócio do escritório aflalo/gasperini arquitetos, responsável pelo conceito do Beyond The Club (BTC), observa que todos os clubes em São Paulo tiveram aumento de demanda nos últimos anos. Essa tendência não se restringe à capital, mas se espalha por todo o estado.

Expansão dos surf parks no Brasil

No estado de São Paulo, outros três complexos voltados à prática do surfe foram inaugurados recentemente. Em 2023, o condomínio Boa Vista Village, em Porto Feliz, abriu suas portas. Já no final de 2025, foram inaugurados o São Paulo Surf Club e o Beyond The Club, ambos na capital paulista. Essa expansão mostra o interesse crescente por esse tipo de empreendimento.

Fora de São Paulo, o movimento também ganha força. O Surfland Brasil, em Garopaba (SC), já está em operação. Outros projetos estão em construção, como o Brasil Surf Club, em Búzios, na Região dos Lagos do Rio, e o Inzuma Resort, em Sergipe. Ao todo, são 15 projetos com piscinas de ondas em desenvolvimento, tornando o país o maior mercado do mundo para este tipo de equipamento de lazer.

Investimentos bilionários em novos projetos

Um dos empreendimentos mais ambiciosos é o que tem investimento de R$ 1 bilhão. A primeira fase prevê uma ‘praia’ de 25 mil metros quadrados, equipada com tecnologia Surf Loch (EUA). A piscina terá capacidade para produzir ondas de até dois metros de altura e receber até 50 surfistas simultaneamente. O projeto promete ser um marco no setor.

Segundo o empresário Gariglia, responsável pelo empreendimento, a decisão de fazer um clube deve-se à carência de lazer de qualidade na região. Ele destaca que Alphaville, onde o empreendimento está localizado, tem 83 mil famílias, o que demonstra o potencial de público. A expectativa é atender a essa demanda reprimida por opções de entretenimento.

Outro projeto que chama atenção é o hotel VIK, que terá como diferencial o ‘beach club’ La Susanna, segundo Dalia Estrada. A inauguração do empreendimento está prevista para 2027. A proposta é oferecer uma experiência completa de lazer, combinando hospedagem e área de praia artificial.

Movimento intenso nos clubes existentes

No Beyond The Club, o movimento já é intenso. O número de usuários chega a 1,2 mil pessoas por dia nos finais de semana, e em torno de 800, em dias úteis. Esses números mostram que a procura por esse tipo de espaço é real e crescente.

A tendência das praias artificiais deve continuar impulsionando o mercado imobiliário, atraindo investidores e consumidores em busca de lazer diferenciado. Com tantos projetos em andamento, o Brasil se firma como líder mundial nesse segmento, e a expectativa é que novas ondas de investimento surjam nos próximos anos.

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