Investimento

Petróleo cai 15%, Petrobras 6% e dólar recua após cessar-fogo de Trump


5 mins de leitura
Petróleo cai 15%, Petrobras 6% e dólar recua após cessar-fogo de Trump
Crédito: www.seudinheiro.com

O anúncio de um cessar-fogo bilateral entre os Estados Unidos e o Irã, intermediado pelo Paquistão, provocou uma reação imediata e significativa nos mercados financeiros globais na noite desta quarta-feira.

A medida, anunciada pelo ex-presidente americano Donald Trump, atendeu a um pedido direto do governo paquistanês. Veio acompanhada da condição de que o Irã garanta a abertura segura do Estreito de Ormuz.

O cenário de alívio geopolítico foi rapidamente precificado pelos investidores. O resultado foi uma forte queda nas cotações do petróleo e uma valorização generalizada das ações ao redor do mundo.

O anúncio que acalmou os mercados

Donald Trump classificou a medida como um cessar-fogo bilateral. Afirmou que os Estados Unidos já teriam atingido — e até superado — seus objetivos militares.

A decisão foi tomada após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. O governo paquistanês atua como principal intermediário entre Washington e Teerã.

Condições e confirmação

O pedido veio com a condição de que o Irã garanta a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz. Essa via marítima é crucial para o transporte global de petróleo.

Pouco depois, Teerã confirmou a trégua de duas semanas com os Estados Unidos e a passagem segura por Ormuz. O prazo estabelecido foi atendido.

O presidente havia dado prazo até as 20h em Washington (21h em Brasília) para que o país suspendesse o bloqueio ao petróleo no Golfo Pérsico.

As negociações por um acordo definitivo estariam avançadas. Incluem uma proposta de dez pontos apresentada por Teerã. A confirmação do entendimento dissipou rapidamente os temores de uma escalada do conflito.

Queda histórica nas cotações do petróleo

O impacto mais imediato e expressivo foi sentido no mercado de commodities, especialmente no petróleo.

Desvalorização nos principais mercados

Por volta de 20h15 (de Brasília), na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio despencava 15,5%. Era negociado a US$ 95,83 o barril.

Em Londres, o Brent para junho registrava uma baixa de 14,5%. Foi cotado a US$ 93,35 o barril no pregão eletrônico da Intercontinental Exchange (ICE).

A forte desvalorização reflete a expectativa de que o fornecimento global de petróleo não será interrompido no curto prazo. A garantia de trânsito seguro pelo estratégico Estreito de Ormuz foi o fator principal.

Reflexo nas ações da Petrobras

O recuo acentuado nas cotações do petróleo teve reflexo direto nas ações de empresas do setor.

Os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras operavam em forte queda no after hours da Bolsa de Nova York. O recuo foi de 5,36% para as ações ordinárias (ON) e de 5,47% para as preferenciais (PN).

A correlação negativa entre o preço do barril e o valor das ações da estatal brasileira é comum. Lucros futuros são reavaliados com a perspectiva de receitas menores.

Em contraste, o fundo negociado em bolsa (ETF) EWZ, que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, subia 2,70% no mesmo período. O sentimento positivo para a bolsa como um todo superou os efeitos negativos sobre a Petrobras.

Bolsa global em festa com a notícia

Enquanto o petróleo afundava, as bolsas de valores ao redor do mundo reagiam com otimismo ao anúncio do cessar-fogo.

Alta nos mercados norte-americanos

Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices registravam altas expressivas por volta das 20h15 de Brasília:

  • Futuros do Dow Jones: +1,88%
  • Futuros do S&P 500: +2,04%
  • Futuros do Nasdaq: +2,35%

O alívio com a redução das tensões no Oriente Médio impulsionou a aversão ao risco. Ativos considerados mais arriscados, como ações de tecnologia, foram beneficiados.

Reação positiva na Ásia e Oceania

O otimismo não se limitou à América do Norte. Na Ásia, as bolsas já abriam em forte alta durante a madrugada (horário de Brasília):

  • Bolsa de Tóquio: alta de 1,79% na abertura
  • Índice Kospi (Coreia do Sul): alta de 5,99% na abertura
  • S&P/ASX 200 (Austrália): alta de 2,8%

A reação positiva generalizada reflete o duplo benefício do cenário: redução do risco geopolítico e perspectiva de custos de energia mais baixos.

Dólar perde força e juros caem

No mercado de câmbio, o dólar cedia em relação às principais moedas no cenário de redução da aversão ao risco.

Queda nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA

Paralelamente, o mercado de renda fixa americano também sentiu os efeitos. Os juros dos títulos do Tesouro dos EUA caíam significativamente:

  • Título de 2 anos (T-note): 3,720%
  • Título de 10 anos: 4,256%
  • Título de 30 anos (T-bond): 4,846%

A queda nos rendimentos reflete expectativas de que o Federal Reserve (Fed) possa ter mais espaço para manter ou reduzir os juros básicos.

Alta nos metais preciosos

Em contraste com a queda do dólar e dos juros, os metais preciosos registravam altas expressivas.

Na bolsa de commodities Comex, o ouro para maio subia 4,06%, sendo negociado a US$ 4.857,5 por onça-troy. A prata para maio saltava 7,45%, cotada a US$ 77,35 por onça-troy.

A fonte não detalhou os motivos específicos para a alta dos metais em um momento de aparente acalmação nos mercados.

O que esperar dos próximos dias

Os movimentos observados representam a reação imediata do mercado à notícia do cessar-fogo. A sustentabilidade dessas tendências dependerá dos desdobramentos políticos.

Negociações e prazo da trégua

A trégua confirmada tem duração de duas semanas. Esse período será crucial para as negociações por um acordo definitivo, que já estariam avançadas.

A proposta de dez pontos apresentada por Teerã será o centro das discussões. Qualquer sinal de ruptura ou dificuldade nas tratativas pode reacender a volatilidade.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Para o mercado brasileiro, o dia de negócios seguinte promete ser volátil. A forte queda nos ADRs da Petrobras sugere uma abertura sob pressão para as ações da empresa na B3.

No entanto, o desempenho positivo do ETF EWZ e o cenário global de alta nas bolsas podem oferecer um contrapeso. Investidores ficarão atentos à trajetória das commodities e ao fluxo de capitais para mercados emergentes.

Fonte