Aprovação da PEC 6×1 impulsiona Motta
A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 de trabalho produziu efeitos políticos concretos na Câmara dos Deputados. Um dos principais é o fortalecimento político do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que ganha impulso para se reeleger à frente da Mesa Diretora, caso consiga um novo mandato pela Paraíba.
A aprovação em primeiro turno, com 472 votos a 22, representou uma virada na gestão de Motta, que enfrentou um primeiro ano difícil em termos de credibilidade junto aos pares. O avanço da PEC não teria ocorrido sem o empenho de Motta, segundo fontes da Câmara.
O cenário mais provável seria o do protelamento da tramitação, já que a esquerda, com menos de 130 deputados, isoladamente não tem força para aprovar mudanças constitucionais. Motta foi decisivo ao desmontar uma manobra do PL para inviabilizar a votação sem assumir o voto contrário.
Manobra do PL e decisão de Motta
O líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), apresentou um destaque de preferência para que o plenário examinasse primeiro a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que estabelece uma jornada laboral com três dias de descanso. Não havia acordo para o avanço de um texto tão radical em plenário.
O parecer do deputado Léo Prates (Republicanos-BA) era em relação à PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que estabelece uma jornada 5×2. Ao decidir em questão de ordem, Motta garantiu a preferência para a proposta original do petista.
Atuação vacilante e demonstração de força
A atuação vacilante de Hugo Motta no motim bolsonarista a favor da anistia do ex-presidente, em agosto do ano passado, transmitiu a imagem de um dirigente com dificuldade de construir agenda e honrar compromissos. No entanto, este ano Motta deu uma demonstração de força com a aprovação do petista Odair Cunha para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
A bancada do PT já havia fracassado em emplacar um integrante para o TCU mesmo nos tempos em que era hegemônica na Câmara.
Perspectivas para 2027
A bússola para medir as chances de Motta em 2027 dependerá ainda do índice de renovação da Casa. O líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG), opinou: “Há tempo suficiente para consertar coisas”.
A tramitação da PEC que acaba com a escala 6×1 ainda atravessará uma zona de incerteza no Senado e sua aprovação no Congresso este ano permanece no terreno da hipótese.
Compromisso com o PT e candidaturas alternativas
O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) comentou: “Ele se mostrou forte para fazer valer um acordo que o PT havia feito para a eleição dele”. O surgimento de candidaturas alternativas como as de Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Soraya Santos (PL-RJ), Danilo Forte (PP-CE) e outras mostrou que não havia compromisso dos outros partidos com a pretensão petista.
A PEC do fim da 6×1 não teria avançado na Câmara sem o empenho de Motta; o cenário mais provável seria o do protelamento da tramitação.
