A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, foi condenada a sete anos e meio de prisão por um tribunal revolucionário do Irã. A sentença foi comunicada nesta manhã após um telefonema da própria ativista.
Esta é a décima condenação imposta à defensora dos direitos humanos. Ela enfrenta acusações relacionadas à segurança nacional.
O caso ocorre em meio a um contexto de repressão no país. Organizações relatam milhares de detenções e mortes.
Detalhes da nova condenação
Mohammadi recebeu seis anos de prisão por acusações de ‘reunião e conluio contra a segurança nacional’. Além disso, foi condenada a um ano e meio por ‘atividade de propaganda contra o sistema’.
Isso totaliza os sete anos e meio de pena. Como medida complementar, o tribunal determinou a proibição de deixar o país por dois anos.
Local e contexto judicial
A audiência que resultou na condenação ocorreu no Tribunal Revolucionário de Mashhad. A ativista foi transferida para a primeira vara dessa instância judicial na cidade.
Esta não é a primeira vez que a defensora dos direitos humanos enfrenta processos judiciais no Irã. Pelo contrário, trata-se da décima condenação em sua trajetória de ativismo.
Circunstâncias da detenção recente
Mohammadi foi detida de forma violenta em meados de dezembro. O episódio ocorreu durante uma cerimônia fúnebre de um advogado na cidade de Mashhad.
Desde então, permaneceu sob custódia das autoridades iranianas. A comunicação com o mundo exterior foi limitada.
Comunicação interrompida
O telefonema que comunicou a sentença representou o primeiro contato da ativista desde que foi detida há 59 dias. A fonte não detalhou como essa informação foi obtida.
A ligação, no entanto, foi interrompida no momento em que ela começava a relatar as circunstâncias de sua prisão.
Problemas de saúde
Este corte na comunicação ocorre em um contexto onde a ativista enfrenta problemas de saúde. Há três dias, precisou ser levada a um hospital devido ao agravamento de seu estado.
As condições de sua detenção têm sido alvo de preocupação por parte de organizações de direitos humanos.
Protesto através da greve de fome
Há seis dias, Mohammadi iniciou uma greve de fome para protestar contra sua detenção. Durante esse período de protesto, ela permaneceu ‘em isolamento absoluto e com o corte total de comunicações’.
A medida extrema demonstra a determinação da ativista em contestar o tratamento recebido pelas autoridades iranianas.
Riscos à saúde
A greve de fome ocorre em um momento delicado para a saúde da Nobel da Paz. Ela já havia necessitado de atendimento médico hospitalar.
A combinação entre o protesto e as condições de detenção levanta questões sobre o bem-estar da defensora dos direitos humanos.
Contexto de repressão no Irã
O caso de Narges Mohammadi não é isolado no cenário iraniano. Diferentes fontes apresentam números significativos sobre a repressão no país.
Números divergentes
- O governo iraniano reconhece a morte de 3.117 pessoas
- A ONG de oposição HRANA estima 6.961 mortos
- Há divergência nos dados disponíveis sobre o impacto das medidas de segurança
Prisões em massa
Além das mortes, a organização HRANA estima mais de 11 mil casos ainda em verificação. A mesma fonte relata cerca de 51 mil prisões.
Esses números ilustram o ambiente no qual ocorre a condenação da ativista. A situação permanece tensa, com diferentes narrativas sobre a extensão da repressão.
Trajetória de resistência e reconhecimento
Narges Mohammadi construiu uma trajetória marcada pela resistência pacífica e pelo reconhecimento internacional. A concessão do Prêmio Nobel da Paz em 2023 destacou seu trabalho em condições adversas.
O Comitê Nobel Norueguês concedeu a honraria à iraniana por seu trabalho em defesa das liberdades fundamentais.
Confronto contínuo
No entanto, essa honraria não impediu novas ações judiciais contra a ativista em seu país de origem. A décima condenação representa mais um capítulo nessa história de enfrentamento.
Enquanto organizações internacionais acompanham o caso, a situação de Mohammadi permanece incerta. A ativista tem saúde fragilizada e comunicação restrita.
O desfecho dessa nova sentença ainda depende de recursos. Também depende da evolução das condições da ativista durante o cumprimento da pena.
