Renúncia após confirmação de conduta imprópria
O presidente do conselho de administração da Fujitsu, Hidenori Furuta, renunciou ao cargo nesta terça-feira (16), a seu próprio pedido, após a empresa confirmar o envolvimento dele em “conduta imprópria relacionada a mulheres”. A informação foi divulgada pela própria companhia, que não entrou em detalhes sobre a natureza exata da conduta. A renúncia ocorre em um momento em que a Fujitsu, uma das maiores empresas de tecnologia do Japão, busca reforçar sua governança corporativa.
Furuta, que assumiu a presidência do conselho em 2024, teve uma longa carreira na empresa, tendo ocupado cargos de destaque como diretor de operações, vice-presidente executivo e diretor de tecnologia. A trajetória de Furuta na Fujitsu era vista como sólida, mas a revelação da conduta imprópria levou à sua saída abrupta. A empresa não especificou se outras medidas disciplinares serão tomadas.
Candidatura retirada da assembleia de acionistas
A Fujitsu retirou a candidatura de Furuta ao cargo de conselheiro na assembleia anual de acionistas, que estava prevista para ocorrer ainda este mês. Com a renúncia, ele não será mais votado para nenhum cargo no conselho. A decisão foi tomada para evitar que a polêmica impactasse os trabalhos da assembleia, que deve discutir outros temas estratégicos para a companhia.
O porta-voz da Fujitsu não forneceu detalhes adicionais sobre a conduta de Furuta nem sobre eventuais planos para substituí-lo. A ausência de informações levanta questionamentos sobre a transparência da empresa em casos de má conduta de executivos. Analistas de mercado acompanham de perto os desdobramentos, especialmente em um ambiente corporativo japonês que tem sido pressionado a adotar padrões mais rigorosos de governança.
Furuta se manifesta brevemente
Procurado pela imprensa, Furuta afirmou: “A declaração da empresa fala por si”, ao ser questionado via LinkedIn. A declaração enxuta sugere que ele não pretende comentar publicamente o caso, ao menos por enquanto. A postura contrasta com a expectativa de que executivos em situação similar costumam pedir desculpas formalmente no Japão.
A falta de maiores esclarecimentos por parte de Furuta e da Fujitsu alimenta especulações, mas a empresa manteve o silêncio sobre os detalhes. A fonte não detalhou se a conduta envolveu funcionárias da empresa ou terceiros, nem se houve investigação interna prévia à renúncia.
Mercado reage com leve alta
Apesar da turbulência no alto escalão, as ações da Fujitsu fecharam em alta de 0,49% na Bolsa de Tóquio. O movimento indica que, por ora, os investidores não enxergam a renúncia como um risco significativo para os negócios da companhia. A Fujitsu tem um histórico de resiliência no mercado, e a saída de Furuta pode ser vista como uma medida para limpar a imagem corporativa.
No entanto, especialistas em governança alertam que a falta de transparência sobre o caso pode gerar desconfiança no longo prazo. A empresa ainda não anunciou um substituto para a presidência do conselho, o que deixa uma lacuna na liderança em um momento de desafios no setor de tecnologia.
Contexto e próximos passos
A renúncia de Furuta ocorre em um cenário de maior escrutínio sobre a conduta de executivos no Japão, onde casos de assédio e discriminação de gênero têm ganhado destaque na mídia. A Fujitsu, que possui políticas de diversidade e inclusão, agora enfrenta o desafio de restaurar a confiança de funcionários e acionistas.
A fonte não detalhou se a empresa pretende implementar novas medidas de compliance ou treinamentos para prevenir situações semelhantes. A assembleia de acionistas, que ocorrerá em breve, deve ser um termômetro para avaliar o humor dos investidores. Até lá, a Fujitsu terá que gerenciar a crise com discrição, enquanto o mercado observa os próximos movimentos.
