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Tarifaço derruba exportações Brasil-EUA ao menor nível desde FHC


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Tarifaço derruba exportações Brasil-EUA ao menor nível desde FHC
Crédito: exame.com

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu ao menor nível desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), iniciada em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Entre agosto de 2025 e maio de 2026, os americanos responderam por apenas 9,3% das vendas externas do Brasil, segundo dados oficiais.

Queda histórica e contexto

A fatia dos EUA já vinha diminuindo nas últimas décadas, devido ao crescimento da participação chinesa nas compras brasileiras, principalmente de commodities. Atualmente, a China ocupa o maior espaço na pauta de exportações do Brasil.

No entanto, o impacto recente na participação americana foi associado às novas barreiras comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos. 24 dos 26 estados e o Distrito Federal registraram queda na participação americana em suas exportações após a adoção das tarifas, evidenciando a abrangência dos efeitos do tarifaço sobre a economia brasileira.

Desempenho recente das exportações

Em maio, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 3,09 bilhões, uma queda de 14% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio entre Brasil e EUA caiu 14,3%, para US$ 29,49 bilhões.

Entre janeiro e maio, as importações brasileiras de produtos americanos diminuíram 12,6%, para US$ 15,48 bilhões. Como resultado, a balança comercial com os Estados Unidos registrou déficit de US$ 1,47 bilhão no período. Historicamente, o Brasil acumulou déficit comercial de cerca de US$ 400 bilhões com os EUA ao longo das últimas décadas.

China assume liderança

Enquanto as exportações para os EUA recuam, a China amplia sua participação. As exportações para a China cresceram 21,8% entre janeiro e maio de 2026, alcançando US$ 46,26 bilhões. O Brasil acumulou superávit comercial de US$ 15,50 bilhões com a China no mesmo período.

As vendas para a União Europeia também aumentaram 6,7%, chegando a US$ 21,81 bilhões. Esse movimento de diversificação de parceiros comerciais ajuda a compensar parcialmente as perdas no mercado americano.

Exportações totais em alta

Apesar do tombo com os EUA, o Brasil exportou US$ 148,57 bilhões entre janeiro e maio de 2026, alta de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado, o setor agropecuário exportou US$ 34,53 bilhões (alta de 7,3%); a indústria extrativa, US$ 36,47 bilhões (crescimento de 17,3%); e a indústria de transformação, US$ 76,76 bilhões (avanço de 5,6%).

Esses números mostram que, embora o mercado americano encolha, outros setores e destinos mantêm o dinamismo das exportações brasileiras.

Próximos passos

A audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos está prevista para 6 de julho. O evento pode trazer novos desdobramentos sobre as tarifas e o futuro da relação comercial bilateral.

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