O governo dos Estados Unidos avalia enviar um novo recado duro ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham: se o Reino Unido não elevar seus gastos militares, Washington pode deixar de apoiar a soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas. A informação foi revelada por uma autoridade do Pentágono ao jornal britânico The Telegraph. A medida representa uma escalada na pressão americana sobre aliados da OTAN para que ampliem seus orçamentos de defesa.
Pentágono reavalia meta de 5% do PIB
De acordo com a fonte, o Pentágono está reavaliando o cumprimento, por parte dos países da OTAN, da meta de destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à área de defesa e o Reino Unido estaria na mira dessa revisão. Na avaliação da Casa Branca, o plano de investimento em defesa apresentado por Londres em junho ficou aquém do esperado, o que teria levado Washington a buscar formas de pressionar o premiê britânico a ampliar o orçamento militar do país.
A revisão americana coloca o Reino Unido em posição delicada dentro da aliança.
Ao Telegraph, o funcionário americano afirmou que o Reino Unido deve receber atenção diferenciada por conta de seu potencial, e que os EUA seguirão tentando estimular o país a avançar nesse sentido. A fonte oficial classificou o plano de investimento britânico como um avanço, mas insuficiente diante do tamanho dos desafios enfrentados pelos EUA e seus aliados. Para Washington, países como o Reino Unido precisam intensificar seus esforços de forma mais consistente, seguindo o exemplo de outros aliados.
Orçamento britânico sem prazo para defesa
O Tesouro do Reino Unido confirmou, na sexta-feira, 28, que o primeiro orçamento do novo ministro das Finanças não vai estabelecer um prazo para que o país alcance a meta de destinar 3% do PIB à defesa. Healey havia deixado o cargo de secretário de Defesa em junho, justificando que o ex-primeiro-ministro Keir Starmer não conseguiu garantir os recursos necessários e que o Tesouro não quis assegurar o financiamento para a defesa nacional em um momento de ameaças crescentes. A ausência de um cronograma claro alimenta a frustração americana.
Em abril, um e-mail interno do Pentágono vazou sugerindo que os EUA poderiam reconsiderar seu apoio à reivindicação britânica sobre as Malvinas como retaliação pela falta de suporte do Reino Unido durante o conflito com o Irã. Na época, o Ministério das Relações Exteriores britânico chegou a discutir a possibilidade de uma mudança de postura americana sobre as ilhas, mas tratou o cenário como hipotético. O episódio anterior demonstra que a questão não é nova nas relações bilaterais.
Malvinas: disputa histórica e reação britânica
As Ilhas Malvinas são administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas seguem sendo reivindicadas pela Argentina, que tem uma relação próxima com Trump. Após a ameaça de abril, o governo britânico afirmou que a soberania sobre o arquipélago “não está em questão”. Já a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, chamou a possibilidade de revisão da política americana de “um completo absurdo”, comparando o episódio à ameaça de Trump de anexar a Groenlândia.
O almirante Lorde West de Spithead, que comandou a fragata HMS Ardent, afundada durante a Guerra das Malvinas, disse ao The Independent que a perda do reconhecimento americano à soberania britânica não teria nenhum efeito do ponto de vista militar. Segundo ele, o fato de os EUA reconhecerem ou não a soberania britânica não torna as ilhas menos seguras. A declaração minimiza o impacto prático de uma eventual mudança de postura americana.
A pressão americana sobre o Reino Unido ocorre em um contexto de reavaliação dos compromissos de defesa da OTAN, o que pode afetar futuras negociações sobre gastos militares e alianças estratégicas. A fonte não detalhou quais seriam os próximos passos concretos caso Londres não atenda às expectativas de Washington. A reportagem do Telegraph não informou se o governo britânico já respondeu formalmente à nova ameaça.
Fonte
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- The Independent (www.independent.co.uk)
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