Estudo revela impacto do sono reduzido no peso
Um novo estudo da Columbia University, publicado no periódico Annals of Internal Medicine, mostra que cortar menos de 90 minutos de sono por noite, por algumas semanas, já é suficiente para engordar e se mover menos durante o dia. A pesquisa acompanhou 95 adultos saudáveis que normalmente dormiam entre sete e oito horas por noite. Durante seis semanas, metade dos participantes atrasou o horário de dormir em 90 minutos, simulando o padrão vivido por cerca de 30% dos adultos. O resultado foi um ganho médio de 450 gramas e um aumento de 17 minutos diários de sedentarismo.
Esses números podem parecer modestos, mas, extrapolando os resultados para um ano inteiro, a perda de menos de 90 minutos de sono por noite poderia gerar um ganho de peso clinicamente significativo. A pesquisa se diferencia de estudos anteriores que usavam privação extrema de sono, limitando os participantes a apenas quatro horas de descanso por noite. Boa parte da pesquisa sobre sono e obesidade foi feita com pessoas limitadas a quatro horas de descanso por noite, uma privação extrema que quase ninguém consegue sustentar por mais do que alguns dias. Esses estudos mostram o que acontece em condições extremas, mas dizem pouco sobre a realidade de quem simplesmente dorme menos do que deveria de forma crônica.
Metodologia inovadora e resultados concretos
Faris Zuraikat, professor assistente de medicina nutricional da Columbia e primeiro autor do trabalho, disse: “Nosso estudo foi desenhado para imitar padrões de sono que a maioria dos adultos experimenta cronicamente”. Para garantir a precisão dos dados, os participantes usaram monitores de pulso que registravam sono e atividade física. Os pesquisadores mediram peso, circunferência abdominal e hormônios ligados ao apetite ao longo de ambas as fases do estudo. Essa abordagem permitiu capturar mudanças sutis, mas consistentes, no metabolismo e no comportamento.
Impactos metabólicos e inflamatórios
Os mesmos participantes foram avaliados em pesquisas relacionadas, e o quadro que emerge vai além da balança. Mulheres com risco cardiometabólico elevado que reduziram o sono pelo mesmo período desenvolveram maior resistência à insulina, fator de risco central para o diabetes tipo 2, com efeito especialmente pronunciado em mulheres pós-menopáusicas. Em outro estudo paralelo, homens e mulheres com risco elevado de doenças cardíacas desenvolveram um influxo de células inflamatórias no coração após a restrição leve de sono. Esses achados sugerem que a privação moderada de sono pode ter impactos sistêmicos que vão além do ganho de peso.
Implicações para a saúde pública
Marie-Pierre St-Onge, coordenadora da pesquisa, argumenta que o sono merece entrar com mais peso nas recomendações de saúde pública. Ela disse: “Focar apenas em comer de forma mais saudável e praticar mais atividade física para compensar o ganho de peso é simplista e difícil de manter”. A declaração reforça a necessidade de políticas que priorizem o sono como um pilar da saúde, ao lado da alimentação e do exercício. O estudo sugere que mesmo pequenas reduções no sono, se crônicas, podem desencadear um ciclo de ganho de peso e sedentarismo difícil de reverter.
Para o público geral, a mensagem é clara: dormir bem não é um luxo, mas uma necessidade fisiológica. A pesquisa da Columbia University oferece evidências robustas de que a privação leve de sono, comum na vida moderna, tem consequências mensuráveis. Os resultados reforçam a importância de priorizar o sono como parte de um estilo de vida saudável, especialmente em um contexto onde cerca de um terço dos adultos não dorme o suficiente.
Em resumo, o estudo mostra que reduzir o sono em menos de 90 minutos por noite, por apenas seis semanas, já é suficiente para provocar ganho de peso e aumento do sedentarismo. Combinado com os efeitos metabólicos e inflamatórios observados em pesquisas paralelas, o trabalho sugere que o sono deve ser tratado com a mesma seriedade que a dieta e a atividade física nas estratégias de prevenção de doenças crônicas.
Fonte
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