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Nova diplomacia mineral: Brasil e Canadá na liderança


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Nova diplomacia mineral: Brasil e Canadá na liderança
Crédito: exame.com

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, visitará Brasília ainda este ano. A agenda formal incluirá comércio, clima e as guerras na Europa e no Oriente Médio. O encontro ocorre em um momento em que os minerais críticos passaram das margens técnicas da política comercial para o centro da segurança econômica.

Posição vantajosa de Brasil e Canadá

Brasil e Canadá encontram-se em posição excepcionalmente vantajosa na nova diplomacia mineral. Cobalto, cobre, grafite, lítio, níquel e terras raras estão na interseção de três prioridades: transição energética, inteligência artificial e prontidão da defesa. Ambos os países possuem vastos recursos desses minerais.

O Brasil domina a produção mundial de nióbio, com aproximadamente 93% da produção. Além disso, detém uma das maiores reservas mundiais de terras raras e possui posições significativas em cobalto, cobre, grafite, lítio, manganês e níquel. O Canadá, por sua vez, é uma das jurisdições de mineração mais confiáveis do mundo, com amplitude comparável em todo o espectro de commodities e um portfólio crescente de terras raras.

Gargalo no processamento mineral

O verdadeiro gargalo reside no meio da cadeia de suprimentos. Pequim construiu a posição de domínio no processamento enquanto as economias ocidentais permitiram que a indústria intermediária migrasse para o exterior. A China interrompeu os embarques de terras raras para o Japão em 2010 e proibiu as exportações de antimônio, gálio e germânio para os Estados Unidos em 2024.

Os minerais críticos processados são tratados como ativos estratégicos de acordo com a Seção 232. Uma nova planta de separação de terras raras no Canadá, ou no Brasil, enfrentaria grande desvantagem em relação às empresas chinesas já estabelecidas, com escala, experiência e poder de precificação. Sem preços mínimos, contratos de fornecimento ou créditos de produção, muitos projetos não chineses terão dificuldades para sobreviver à sua primeira recessão.

Estratégias e parcerias divergentes

O Canadá se aliou à Aliança de Produção de Minerais Críticos do G7, com orçamento de CAD$ 2 bilhões do Fundo Soberano de Minerais Críticos e triagem de investimentos para manter o capital chinês fora de ativos sensíveis. Já o Brasil acolheu investimentos chineses em lítio, num projeto de US$ 565 milhões. O Pacote da Development Finance Corporation para Serra Verde ocorreu em fevereiro de 2026, e o Acordo UE-Mercosul foi assinado em janeiro de 2026.

Historicamente, a canadense Bombardier e a brasileira Embraer passaram anos envolvidas em disputas na OMC sobre subsídios a programas concorrentes de jatos regionais. Agora, ambos os países buscam alinhar estratégias para uma cadeia mais justa e sustentável.

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