Os custos para produzir grãos, como soja e milho, nos Estados Unidos devem atingir novos recordes em 2027, mesmo com a expectativa de alívio nos preços de combustíveis e fertilizantes. A conclusão é de uma análise da American Farm Bureau Federation (AFBF), baseada nas projeções do relatório Custo das Commodities e Retorno, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Segundo o estudo, o aumento dos custos de produção deixou de ser um efeito temporário da inflação e das rupturas nas cadeias globais de suprimentos para se tornar uma característica estrutural da agricultura americana.
Custos recordes para todas as culturas
As projeções preliminares do USDA para 2027 mostram que os custos totais de produção continuarão subindo para a maioria das principais culturas, levando todas as commodities a níveis recordes. O custo de produção do arroz deve atingir US$ 1.427 por hectare em 2027, o maior entre as principais culturas analisadas. Na sequência aparecem amendoim (US$ 1.248), algodão (US$ 1.001), milho (US$ 952), soja (US$ 701), sorgo (US$ 477) e trigo (US$ 428). Esses números representam um aumento significativo em relação aos anos anteriores, pressionando ainda mais o orçamento dos produtores rurais.
Revisões em alta para 2026
As projeções atualizadas indicam que os custos de produção serão maiores do que o previsto anteriormente para todas as principais culturas em 2026. Entre as maiores revisões aparecem os custos com combustível, lubrificantes e eletricidade, que aumentaram 41% para o sorgo, 36,8% para o amendoim, 35,2% para o trigo, 34,6% para o milho, 34,4% para o arroz e 32,9% para a soja, em comparação com as projeções anteriores do USDA. Os fertilizantes também ficaram mais caros. As revisões variam entre 6,5% e 11,7%, dependendo da cultura, com os maiores aumentos registrados para arroz, trigo, amendoim, milho e soja. Esses incrementos refletem a persistência de pressões inflacionárias em insumos essenciais.
Perspectivas de alívio em 2027
O USDA espera um cenário mais favorável em 2027, diante da possibilidade de redução das tensões no Oriente Médio e da normalização do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz. No entanto, mesmo com a expectativa de queda dos preços de combustíveis e fertilizantes, os custos de produção devem continuar subindo no próximo ano. Segundo a AFBF, o aumento será impulsionado por outras despesas da atividade agrícola, como sementes, defensivos, reparos, mão de obra, maquinário e arrendamento de terras. Esses itens têm mostrado alta consistente, independentemente das variações nos mercados de energia e nutrientes.
Impactos das tarifas e concorrência
As tarifas comerciais e tensões com a China contribuíram para a perda de espaço da soja americana no mercado global, com aumento das compras chinesas de fornecedores como Brasil e Argentina. Essa perda de mercado agrava a situação dos produtores, que enfrentam custos crescentes e receitas potencialmente menores. Além disso, os pedidos de falência no agronegócio dos EUA cresceram 46% em 2025 na comparação com o ano anterior, sinalizando a fragilidade do setor. Uma pesquisa revelou que 70% dos entrevistados afirmaram não conseguir arcar com todos os fertilizantes necessários para a safra de 2026, evidenciando a dificuldade de acesso a insumos básicos.
Tendência estrutural de longo prazo
Desde 2005, o custo total de produção aumentou 165% na soja, 146% no milho, 106% no trigo, 103% no arroz, 88% no amendoim e 84% no algodão. Esses números demonstram que a escalada de custos não é recente, mas se acelerou nos últimos anos. Na avaliação da entidade, essa tendência torna os produtores mais vulneráveis em momentos de queda dos preços das commodities, já que boa parte das despesas permanece elevada independentemente da receita obtida na comercialização da safra. Os custos recordes projetados para 2027 sugerem que o aumento das despesas com insumos não é mais um desafio temporário, mas uma realidade persistente enfrentada pelos agricultores em todo o país.
Fonte
- exame.com
- Assinar (lps.exame.com)
- Entrar (id.exame.com)
- projeções anteriores do USDA (www.ers.usda.gov)
- faculdade exame (www.exame.com)
- YouTube (www.youtube.com)
