O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira, 20, durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha em Hannover, que seu país poderá dobrar o volume de comércio bilateral com o Brasil nos próximos anos.
A declaração reforça o objetivo de ampliar as transações comerciais, atualmente em torno de US$ 21 bilhões anuais, em um cenário de aproximação econômica entre as nações.
O pronunciamento ocorreu após discurso do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que também defendeu o aumento das trocas.
Meta ambiciosa para o comércio bilateral
Friedrich Merz foi direto ao ponto ao declarar: “O comércio com o Brasil ainda é pouco. Concordo com o senhor Alban e vamos dobrar o volume do comércio”.
A meta estabelecida pelo chanceler alemão encontra eco nas projeções da CNI, que defende que o intercâmbio comercial entre Brasil e Alemanha poderia chegar a US$ 40 bilhões em cinco anos.
Atualmente, o fluxo anual gira em torno de US$ 21 bilhões, indicando um potencial significativo de crescimento.
A convergência de visões entre lideranças políticas e empresariais sinaliza um ambiente propício para negociações.
Acordos como impulso para os negócios
Para alcançar a meta de dobrar o comércio, ambos os lados destacaram a importância de instrumentos jurídicos e acordos comerciais.
Ricardo Alban mencionou que medidas como um acordo para acabar com a bitributação entre os dois países, que pode ser fechado nas reuniões desta segunda, ajudarão nesse objetivo.
O presidente da CNI argumentou que “a inexistência de um instrumento dessa natureza tem desestimulado os investimentos bilaterais”.
Paralelamente, Friedrich Merz ressaltou que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul será crucial para avançar os negócios.
Mercosul-UE: caminho sem volta
O chanceler alemão foi enfático ao comentar o acordo entre os blocos econômicos, declarando: “É uma boa notícia que o Acordo com o Mercosul entrará em vigor no dia 1º de maio. Não podemos voltar neste caminho traçado. Apoiamos o processo de ratificação. Ele precisa ser concluído o mais rápido possível”.
A afirmação de Merz reforça o compromisso da Alemanha com a consolidação do pacto, visto como um pilar para a expansão das relações comerciais.
A implementação do acordo é considerada um passo estruturante para o aumento do fluxo de bens e serviços.
Áreas estratégicas para parceria
Setores prioritários identificados
Friedrich Merz apontou três setores específicos como os mais promissores para avanços nos negócios com o Brasil:
- Automação industrial: “o mercado brasileiro é atraente para empresas alemãs que atuam nessa área”.
- Minerais críticos: “o Brasil tem grande potencial em terras raras”, elementos essenciais para tecnologias modernas.
- Energias renováveis: área de interesse mútuo para cooperação.
Atualmente, a Alemanha importa US$ 3 bilhões por ano em matérias-primas do Brasil, e Merz declarou que “a Alemanha está preparada para incrementar essa relação”.
Perspectivas de um novo patamar
As declarações feitas em Hannover pintam um cenário otimista para o futuro das relações econômicas entre Brasil e Alemanha.
A combinação de metas quantitativas claras, como dobrar o volume comercial para até US$ 40 bilhões, com a identificação de setores prioritários, oferece um roteiro para a cooperação.
A ênfase em acordos para eliminar barreiras, como a bitributação, e a confiança no acordo Mercosul-UE sugerem que as bases para a expansão estão sendo solidificadas.
O próximo passo será a concretização dessas intenções em negócios e investimentos tangíveis.
Fonte
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