O Amazonas vai às urnas em 4 de outubro de 2026 para escolher o próximo governador do estado. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, um segundo turno acontece em 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O estado é o 15º maior colégio eleitoral do país, com cerca de 2,8 milhões de eleitores aptos a votar, o equivalente a 1,76% do eleitorado nacional, segundo dados do TSE de julho de 2026.
Com o fim do prazo de registro de candidaturas, em 15 de agosto, sete nomes estão confirmados na disputa pelo Palácio Rio Negro, sede do governo amazonense. O atual governador, Roberto Cidade, assumiu o Executivo estadual em abril, após a renúncia de Wilson Lima, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado, conforme registro no TSE.
Quem são os candidatos
Entre os postulantes, há perfis variados, que vão de um ex-deputado federal a um cacique indígena. Conheça cada um deles a seguir.
Cabo Daciolo (sem partido informado)
Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo, tem 50 anos, nasceu em Florianópolis (SC) e é bombeiro militar aposentado e pastor evangélico. Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 2015 e 2019 e concorreu à Presidência da República em 2018, quando terminou em sexto lugar, com 1,26% dos votos.
O discurso de campanha de Daciolo é centrado na valorização econômica da Amazônia Legal, que reúne nove estados e cerca de 30 milhões de pessoas, e em críticas ao que ele chama de abandono da região pelo poder público federal. O plano de governo de Daciolo, protocolado na Justiça Eleitoral em 15 de agosto, prioriza a valorização econômica da Amazônia Legal.
David Almeida (sem partido informado)
David Almeida, de 57 anos, é advogado e prefeito de Manaus desde 2021, reeleito em 2024. Almeida também já presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas e exerceu interinamente o governo do estado em 2017. Sua vice na chapa é a médica Shádia Fraxe, com experiência em atenção primária à saúde.
Em agosto, Almeida lançou o plano de governo “Pra Cima, Amazonas”, com 170 propostas organizadas em nove eixos estratégicos. A saúde pública é apontada como prioridade principal da candidatura de Almeida, incluindo a promessa de zerar a fila do SisReg, sistema estadual de regulação de vagas hospitalares, e de ampliar e regionalizar o atendimento especializado no interior.
Na área social, Almeida propõe dobrar o valor do Auxílio Estadual, hoje em R$ 150, para R$ 300 mensais. O plano de Almeida também prevê os programas Primeiro Emprego Amazonas e Qualifica Interior, voltados à qualificação profissional e à inserção de jovens no mercado de trabalho.
Gilberto Vasconcelos (PSTU)
Gilberto Vasconcelos, de 59 anos, é professor da rede municipal de ensino, formado em Letras pela Universidade Federal do Amazonas, integra a coordenação da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) e concorre pelo PSTU, sem coligação com outros partidos. A vice na chapa de Vasconcelos é a advogada Juliana Frota, servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas.
O programa do PSTU defende bandeiras associadas à esquerda sindical: reforma agrária, fim da escala de trabalho 6 por 1, redução da jornada para 36 horas semanais sem corte de salário, demarcação de terras indígenas e proteção de territórios quilombolas.
Isael Munduruku (Rede/PSOL)
Isael Munduruku é advogado e cacique-geral do Parque das Tribos, em Manaus, reconhecida como a maior comunidade indígena urbana do Brasil, e concorre pela Rede Sustentabilidade, dentro da federação formada com o PSOL. O vice na chapa é Léo Balbi, do PSOL.
A candidatura de Munduruku tem como eixos a defesa da Zona Franca de Manaus, considerada estratégica para a geração de emprego e renda no estado, e melhorias na infraestrutura da BR-319, incluindo governança ambiental e respeito aos povos tradicionais na pavimentação da rodovia.
Os demais candidatos não tiveram seus perfis detalhados nas informações disponíveis.
O que está em jogo
Com um eleitorado de quase 3 milhões de pessoas, a disputa pelo governo do Amazonas promete ser acirrada. Os candidatos apresentam propostas que vão desde a saúde pública até a preservação ambiental, refletindo as demandas de um estado com dimensões continentais e desafios únicos.
O cenário político, marcado pela renúncia do governador anterior, adiciona um elemento de incerteza à corrida eleitoral. A população amazonense decidirá nas urnas quem comandará o estado pelos próximos quatro anos.
Fonte
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