O Banco Safra rebaixou a recomendação das ações da Ambev (ABEV3) de neutro para venda, mas elevou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 16. O novo preço-alvo implica um potencial de alta de cerca de 9% sobre o fechamento da véspera (23). A decisão reflete a visão de que a melhora recente nos volumes já está no preço do papel e que o mercado pode estar otimista demais com as margens.
Rebaixamento e preço-alvo
O Banco Safra rebaixou a recomendação das ações da Ambev (ABEV3) de neutro para venda. Ao mesmo tempo, elevou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 16. O preço-alvo de R$ 16 implica um potencial de alta de cerca de 9% sobre o fechamento da véspera (23).
Na leitura do Safra, a melhora recente nos volumes já está no preço do papel. Segundo analistas do Safra, o mercado pode estar otimista demais com as margens. A expectativa de retomada da cerveja no Brasil em 2026, embalada pela Copa do Mundo FIFA 2026 e por uma base de comparação mais fraca, já estaria incorporada às cotações.
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Pressões sobre margens
O Safra afirma que o mercado subestima a pressão sobre margens decorrente de maiores despesas com SG&A e de condições ainda desafiadoras da indústria em diferentes geografias. Por volta das 15h45 (horário de Brasília), as ações da Ambev caíam 1,70% no Ibovespa, cotadas a R$ 14,49. No ano, ABEV3 acumula alta de cerca de 4,55%.
Segundo o Safra, a indústria cervejeira brasileira vem andando de lado desde 2020, devido a um ambiente competitivo difícil, com a Heineken fortalecendo sua posição. A Ambev recuperou algum espaço em 2025, especialmente em cervejas premium.
Desafios regionais
- Canadá: Enfrenta uma tendência secular de contração do setor cervejeiro.
- Argentina: A economia volta a enfraquecer após alguma recuperação em 2024.
- América Central e Caribe (CAC): Mercado volátil.
- NAB Brasil (não alcoólicos): Apresentou crescimento consistente, mas o desempenho recente perdeu fôlego.
Para o banco, os volumes no Brasil devem se beneficiar neste ano do ciclo da Copa do Mundo e das bases de comparação fáceis após a forte queda de volumes no ano passado. Os preços podem compensar o custo por hectolitro (COGS/hl) em 2026, mas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) devem pressionar margens, afirma o Safra.
Projeções e valuation
O analista Ricardo Boiati explica: “Esperamos tendências igualmente fracas em NAB Brasil, CAC, América do Sul (LAS) e Canadá, com volumes mais fracos na maioria das regiões”. O Safra projeta queda de 3% no Ebtida ajustado, uma vez que as pressões de custos — especialmente em Cerveja Brasil — devem seguir como um vento contrário relevante.
A ABEV3 é negociada a 15,7 vezes o lucro projetado para 2026 — um prêmio de cerca de 14% frente a concorrentes internacionais. O rebaixamento do Safra reflete, portanto, uma visão cautelosa sobre a capacidade da Ambev de sustentar margens diante de desafios competitivos e de custos.
Fonte
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