Os contratos futuros do barril de petróleo Brent para setembro deste ano abriram a sessão de negociações deste domingo (12) em alta. Na primeira hora do pregão, a commodity era cotada a US$ 78,69, alta de 3,53%. Os preços foram diretamente afetados pelo retorno dos embates entre Estados Unidos e Irã e pelo consequente fechamento do estreito de Ormuz, anunciado pela Guarda Revolucionária iraniana no sábado (11).
Estreito de Ormuz no centro da crise
O estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, voltou a ser palco do conflito. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em rede social que o estreito “está aberto”, mesmo com o tráfego na região despencando após Teerã atingir dois petroleiros. A declaração contrasta com o anúncio iraniano de fechamento da via, que responde por cerca de 20% do tráfego global de petróleo.
Recuperação após semanas de queda
O preço do Brent estava em queda desde o mês passado, quando os dois países assinaram os termos de um cessar-fogo. Em junho, os contratos eram negociados em torno de US$ 100, enquanto na sexta (10) a commodity era cotada a US$ 76,01. Na semana passada, com a volta da instabilidade no Oriente Médio, os preços do Brent subiram 5,39% após uma sequência de quatro semanas em queda. Os contratos para agosto do WTI tiveram alta de 3,93% na semana e encerraram as negociações de sexta cotados a US$ 71,41. A alta semanal do WTI foi maior desde a semana do dia 10 de maio, quando o WTI subiu mais de 10%.
Ataques se intensificam no fim de semana
As forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones ao longo deste domingo. Teerã atacou instalações americanas em países do Golfo, como Kuwait, Bahrein e Jordânia e voltou a afirmar que o estreito estava fechado. Os ataques atingiram também o Qatar, importante mediador do conflito nas negociações por um cessar-fogo – o país estava imune aos ataques desde abril. Os Emirados Árabes Unidos, que também não eram atingidos desde maio, afirmaram ter interceptado mísseis e drones vindos do Irã.
EUA respondem com ataques no Irã
A mídia iraniana relatou ataques dos EUA ao redor do porto de Bandar Abbas, onde estão localizadas instalações militares no estreito, e na ilha de Qeshm. A escalada militar ocorre após o colapso do cessar-fogo que havia sido anunciado como uma grande vitória de Donald Trump há menos de um mês. O acordo perdeu sua validade ao longo da semana passada, quando o presidente norte-americano afirmou considerar o acordo provisório como encerrado.
Diplomacia em xeque
Quando os termos iniciais do fim dos ataques foram assinados entre Irã e EUA, havia a previsão de reabrir o estreito e pôr fim à guerra. Trump voltou a deixar em aberto uma nova rodada de negociações para encerrar os conflitos, iniciados em 28 de fevereiro. O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que as negociações em Mascate, realizadas no sábado, focaram na gestão do estreito de Ormuz, porém os EUA, que teriam pressionado Omã, impediram que se chegasse a um resultado sobre o assunto.
Tom duro do Irã
Principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou em seu perfil no X neste domingo que “a era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.” A declaração sinaliza a disposição iraniana em manter a pressão sobre os EUA, enquanto o mercado de petróleo reage com volatilidade.
O cenário segue incerto, com os preços do Brent e do WTI sendo monitorados de perto por investidores e governos dependentes da importação de petróleo. A continuidade dos ataques e o fechamento do estreito de Ormuz podem levar a novos aumentos nos preços, afetando a economia global.
