Resgate ininterrupto após terremoto na Venezuela
Equipes de resgate trabalharam durante toda a noite para salvar centenas de venezuelanos presos sob os escombros e localizar outros milhares de desaparecidos, após dois dos maiores terremotos da história moderna da América Latina devastarem áreas na capital Caracas e arredores. O estado de La Guaira foi o mais afetado pelos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, registrados na noite de quarta-feira. Um site criado para rastrear pessoas desaparecidas listou mais de 49.600 pessoas como desaparecidas, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos previu mais de 10.000 mortes. A dimensão da catástrofe ainda está sendo avaliada, e os números podem aumentar à medida que os escombros são removidos.
Vítimas estrangeiras e esforços internacionais
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha informou que três de seus cidadãos morreram, quatro ficaram presos sob os escombros e outros 99 continuavam desaparecidos. Com a chegada de equipes de resgate estrangeiras, bombeiros, soldados e cidadãos angustiados vasculhavam prédios destruídos em busca de sobreviventes. Nações de todo o mundo prometeram apoio, inclusive algumas que se opuseram à Venezuela durante décadas. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao presidente russo, Vladimir Putin, por seus esforços. A solidariedade internacional se mobiliza para auxiliar nas operações de busca e na assistência humanitária.
Desespero entre os escombros
Yamileth Jimenez disse que seu filho de 19 anos está sob as lajes e não há maquinário para resgatá-lo. A falta de equipamentos adequados dificulta o trabalho dos socorristas e aumenta a angústia das famílias. Milhares estão desabrigados em um país já enfraquecido por décadas de turbulência econômica e política. Muitos vivem em favelas precárias nas encostas, chamadas de ‘barrios’, que foram particularmente vulneráveis aos tremores. Suhayl Sarquiz, de 50 anos, declarou: ‘Meu prédio está inabitável e agora não tenho mais nada.’ Beatriz Rodríguez, de 60 anos, disse que seu sobrinho teve as pernas amputadas depois de ser esmagado pelos terremotos e outro sobrinho morreu. Histórias de perda e sofrimento se multiplicam entre os sobreviventes.
Infraestrutura devastada
O governo confirmou 250 prédios danificados ou destruídos. Pelo menos oito hospitais, a Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França estavam entre os prédios que ficaram gravemente danificados. Quase 7 milhões de pessoas podem ter sido afetadas, informou o órgão de migração da ONU. La Guaira, o Estado litorâneo vizinho a Caracas e onde fica o principal aeroporto do país, estava entre as áreas mais atingidas. Pedro Pérez, 64, dono de uma oficina de estofamento, disse: ‘Perdemos tudo’. Perto do epicentro, em Morón, uma cidade litorânea no Estado de Carabobo, casas desabaram e os moradores ficaram sem água nem eletricidade. A destruição atinge setores essenciais, comprometendo a capacidade de resposta do país.
Desafios logísticos e humanitários
A remoção dos escombros e a busca por desaparecidos enfrentam obstáculos como falta de maquinário pesado, estradas bloqueadas e interrupção de serviços básicos. Equipes de resgate estrangeiras trazem equipamentos especializados, mas a escala da tragédia exige recursos adicionais. A população desabrigada precisa de abrigo, água potável, alimentos e assistência médica. A ONU e outras organizações humanitárias estão mobilizando ajuda, mas a situação é agravada pela crise econômica e política que já afetava o país. A reconstrução será longa e custosa, e o apoio internacional será crucial nos próximos meses.
