Expectativa de automação gera debate sobre o futuro do trabalho
Uma pesquisa exclusiva revela que quase um terço das lideranças de tecnologia da informação no Brasil considera plausível a substituição de parte significativa das equipes por inteligência artificial nos próximos anos.
O levantamento, realizado entre agosto e setembro de 2025, entrevistou 129 líderes da área de TI de empresas de diferentes segmentos. Trinta e um por cento desses profissionais acreditam ser “plausível” que agentes de inteligência artificial substituam, pelo menos, 20% dos funcionários em até três anos.
Metodologia da pesquisa
O estudo foi conduzido pela Logicalis, empresa global de soluções e serviços de TI, em parceria com a consultoria Stratica. As informações foram obtidas com exclusividade pelo Valor.
Os dados mostram uma tendência crescente de discussão sobre o impacto da automação no mercado de trabalho tecnológico brasileiro. Essa perspectiva levanta questões sobre como as organizações estão se preparando para essa possível transformação.
Aceleração na adoção de IA
O cenário descrito pelos líderes de TI sugere uma aceleração na adoção de soluções baseadas em inteligência artificial. A previsão de substituição de funcionários em um prazo relativamente curto indica que muitas empresas já estão avaliando essa possibilidade.
Essa transição, no entanto, depende de diversos fatores que vão além da simples disponibilidade da tecnologia.
Contradição entre expectativa e preparo organizacional
Outro dado que chama a atenção no estudo é a contradição entre expectativa e preparo em relação à inteligência artificial, conforme destacado por Muchaluat. Enquanto muitos líderes veem a substituição de funcionários como plausível, as empresas podem não estar totalmente preparadas para implementar essas mudanças de forma eficaz.
Essa disparidade entre o que se planeja e o que se consegue executar representa um desafio significativo.
Riscos da implementação sem planejamento
As organizações precisam desenvolver estratégias consistentes para lidar com a introdução da inteligência artificial em seus processos. Não basta ter a expectativa de automação sem um plano concreto para gerenciar a transição.
A falta de preparo adequado pode levar a implementações problemáticas que não alcançam os resultados esperados.
Essa contradição pode resultar em:
- Decisões precipitadas
- Investimentos mal direcionados
- Oportunidades perdidas de reavaliação estratégica
Por outro lado, também oferece uma oportunidade para que as empresas reavaliem suas abordagens antes de avançar com projetos de automação. O equilíbrio entre ambição e capacidade de execução será crucial nos próximos anos.
Estratégia consistente é fundamental para o sucesso
Para superar os desafios identificados na pesquisa, as empresas precisam de uma estratégia consistente de inteligência artificial. Essa abordagem deve incluir:
- Metas de negócio definidas
- Foco em casos de uso prioritário
- Indicadores de retorno claros
A implementação de soluções tecnológicas sem um planejamento adequado tende a gerar resultados abaixo do esperado.
Revisão de processos antes da automação
Antes de implementar qualquer solução, é essencial que as companhias revisem processos e corrijam falhas. Essa etapa garante que a tecnologia seja aplicada para gerar eficiência e não apenas replicar problemas existentes em formato digital.
A automação de processos defeituosos pode amplificar erros em vez de resolvê-los.
Uma estratégia bem estruturada também ajuda a alinhar as expectativas com a realidade operacional das organizações. Definir prioridades claras permite que os recursos sejam direcionados para onde podem gerar maior impacto. Essa abordagem metódica aumenta as chances de sucesso na adoção de inteligência artificial.
Capacitação vai além do treinamento básico
A preparação das equipes para trabalhar com inteligência artificial requer mais do que treinamentos superficiais. Não basta disponibilizar capacitações básicas que não abordam as necessidades específicas de cada área.
As empresas precisam investir em programas que realmente preparem os funcionários para os novos desafios.
Capacitação prática e contínua
É necessário promover uma capacitação prática e contínua, alinhada aos desafios de cada setor da organização. Essa abordagem garante que os colaboradores desenvolvam habilidades relevantes para suas funções específicas.
A aprendizagem contínua permite que as equipes se adaptem às mudanças tecnológicas que ocorrem ao longo do tempo.
Investir no desenvolvimento das pessoas é tão importante quanto investir em tecnologia. Funcionários bem preparados podem utilizar as ferramentas de inteligência artificial de forma mais eficiente e criativa. Essa sinergia entre capacitação humana e avanço tecnológico maximiza os benefícios da automação.
Comunicação transparente reduz inseguranças
A transparência na comunicação sobre o assunto é outro fator-chave para reduzir inseguranças e esclarecer o papel da automação no futuro do trabalho.
Diálogo aberto com funcionários
Dialogar abertamente com os funcionários sobre os planos de implementação de inteligência artificial ajuda a construir confiança. Esse processo também permite que as equipes compreendam melhor como suas funções podem evoluir.
Esclarecer o papel da automação ajuda a dissipar temores infundados sobre substituição completa de humanos por máquinas. Na maioria dos casos, a inteligência artificial complementa o trabalho humano em vez de eliminá-lo totalmente.
Comunicar essa perspectiva de forma clara contribui para um ambiente organizacional mais estável.
Identificação de oportunidades de requalificação
Uma comunicação eficaz também facilita a identificação de oportunidades de requalificação profissional. Quando os funcionários entendem as mudanças que estão por vir, podem se preparar melhor para elas.
Essa abordagem proativa beneficia tanto os colaboradores quanto as organizações.
Conclusão: momento de transição exige planejamento
O estudo revela um momento de transição importante para o setor de tecnologia da informação no Brasil. A possibilidade de substituição de parte das equipes por inteligência artificial nos próximos três anos exige planejamento cuidadoso das empresas.
Desenvolver estratégias consistentes, investir em capacitação adequada e manter comunicação transparente são passos essenciais para navegar nessa transformação.
